Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"


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Nas agitações dos mares da vida, Jesus Cristo nos dá a salvação na Oração

Robson Cavalcanti

Leigo Teólogo Católico

Por ocasião do 19º Domingo do Tempo Comum: 10 de Agosto de 2014.

Referência bíblica: Mt 14. 22-33

Depois da multiplicação dos pães, 22Jesus mandou que os discí­pulos entrassem na barca e seguis­sem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi­-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agi­tada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da ma­nhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, ca­minhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Je­sus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco, prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

Introdução

Bom dia a todos meus irmãos e irmãs em Cristo! Que bom estarmos aqui novamente louvando a Deus! Que bom ouvir a palavra de Deus, o evangelho de Jesus a boa noticia de Jesus. Eu estou feliz por estar aqui mais uma vez compartilhando a reflexão da palavra de Deus com vocês. Quero convidar vocês para refletir a palavra de Deus que no dia de hoje nos traz muitas lições.

O Primeiro livro dos Reis 19 9a 11-13a

Elias está triste e com medo. Triste porque os Israelitas abandonaram a aliança com Deus, derrubaram os altares e assassinaram os profetas e com medo porque agora querem matá-lo. Elias assim como os discípulos está atormentado, está agitado.

O furação, o terremoto, o fogo e a brisa são para o povo antigo elementos da manifestação de Deus que também é conhecido como Teofania. O Vento e o fogo são símbolos relacionados à vida do profeta, que é tido como fogoso e impetuoso como o vento. Ao se afastar da cidade, do movimento do agito, assim como Jesus Elias sobe solitário na montanha. E lá ele descobre o Senhor numa brisa. Descobre que Deus não se faz presente na agitação e que calado o tumulto o silencio traz a surpresa da presença de Deus.

Carta aos Romanos 9 1-5

Paulo o apostolo dos pagãos e irmão dos Judeus vive um sentimento de pena  e um gesto de solidariedade. Pena porque não aceitaram Jesus como messias, mas solidário ao considerar os privilégios dos Judeus e o máximo privilégio de que Jesus, o Messias descende desta raça. O filho que dá brilho a sua árvore genealógica.

O Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 14. 22-33

A Oração e as Preocupações

No Evangelho, podemos perceber alguns contrastes como Montanha e o Mar a Oração e a Agitação. Jesus na sua caminhada não deixava de orar. E vai orar sozinho. Imagino Eu que não porque ele era egoísta ou porque os discípulos eram dorminhocos, como ouvimos perto da morte de Jesus, mas porque o encontro com Deus é pessoal, exige paciência, fé, tranquilidade. Aqui Jesus nos mostra a importância e a seriedade da oração.

A barca, no entanto, longe da margem por causa do vento começa a ser atormentada. Ela pode simbolizar nós dento das nossas preocupações, desde as mais leves do dia-a-dia a até as mais complicadas, aquelas que tiram o sono.

Mas Jesus fortalecido pela oração, pelo encontro com Deus, vem caminhando sobre as nossas preocupações, em meio as nossas preocupações.

O Pavor o Medo e os Fantasmas

Os discípulos não ficaram apavorados pela tempestade e nos muitas vezes também não ficamos pelas nossas preocupações. Mas assim como os discípulos ficamos APAVORADOS, não com medo, mas APAVORADOS, por vários fantasmas que nós vamos criando dentro da nossa cabeça quando estamos preocupados. Fantasma como a desconfiança, a insegurança, a falta de fé que vão sendo alimentados dentro de nós. Para não alongar quero citar o exemplo daquela doença que nós já acreditamos que vamos morrer, ou daquela situação ruim no trabalho que já achamos que vamos ser demitidos, ou ainda a desconfiança conjugal, ou a falta de fé e esperança sobre a recuperação de um ente querido frente a um problema de doença ou vícios.

E quando nos dedicamos um pouco a nossa oração, quando abrimos mais o nosso coração, ficando mais vulneráveis, percebemos que o fantasma, aquele medo que na verdade é o próprio Jesus se aproximando da gente, é o medo do desconhecido encontro com o mestre que logo diz: Coragem! Sou Eu! Não tenham medo!

Eu Sou: Sou Eu

A frase “Sou Eu” nos lembra de Moisés no encontro com a sarça ardente onde Moisés pergunta quem aquele que o chama e a voz responde: “Eu Sou aquele que Sou” revelando para nós que Deus é Pai e Filho.

A falta de fé do discípulo Pedro e o Amor infinito de Jesus Cristo

Porém Pedro, que é aquele discípulo que mais se parece com a gente, mesmo ouvindo as palavras de Jesus ainda duvida e diz: Se for você manda ir ao seu encontro caminhando sobre as águas.

Como é desaforado esse Pedro não? Como nós somos desaforados não? Colocamos Jesus, Deus a prova. Mesmo naquele momento onde Deus está presente na nossa vida nós ainda duvidamos da sua presença.

Mas o amor de Deus é tão grande para conosco que ele ignora e diz: Vem! Eu te acolho! Eu te aceito! Eu te ajudo a superar isso que você sente! Sua insegurança, sua falta de fé,sua desconfiança!

Mas como esse encontro com Deus exige meditação, paciência, fé, tranquilidade, dedicar tempo, seriedade, a gente acaba voltando a sentir os nossos fantasmas, o vento que atormenta e começamos a afundar.

Pedro não teme porque se afunda, mas se afunda porque teme. E assim como Pedro, nós devemos gritar: Senhor salva-me! E reconhecer como ele que é o braço forte do Senhor que pode nos salvar!

E assim cantar como o salmista: “Mostrai-nos ó Senhor vossa bondade e a vossa salvação nos concedei” NÃO É LINDO ISSO GENTE! Pedro professou sua fé naquele momento, reconhecendo Jesus como Senhor, detentor da salvação, da nossa salvação.

Jesus nos estende a mão, mas repreende também. Como você é fraco na fé, porque duvidaste? Ele nos questiona. Aqui ele quer nos mostrar que nunca devemos duvidas do poder de Deus e que Deus sempre fará o que for de melhor para nós.

Profissão de Fé como fortalecimento e reconhecimento do Senhor no Filho

Logo que Jesus e Pedro subiram na barca o vento acalmou e os que estavam na barca professaram sua é dizendo: Verdadeiramente tu és o Filho de Deus!

Assim também acontece conosco quando deixamos Jesus subir nessa barca da nossa vida, que é a gente. O vento se acalma, MAS NÃO ACABA GENTE! Ela se acalma, ou seja, fica em um ponto onde conseguimos suportar e seguir em frente.

Que neste dia da vocação para a vida em família em especial para os pais, nós possamos vencer o medo, as agitações apoiados em Jesus Cristo, na oração.

Então como bom cristão que somos, assim como os discípulos, devemos professar e fortalecer nossa fé, reconhecendo e dizendo sempre que VERDADEIRAMENTE TU ÉS O FILHO DE DEUS!

Amém!


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O humor como expressão de saúde psíquica e espiritual

Compartilho esse post do nosso querido L.Boff sobre o humor, pois o mundo carece de humor, de risadas, de alegrias. E mais, engana-se aquele que deve levar a vida sempre com tanta severidade e sem humor. Não leve a vida tão a sério, pois Deus é Amor e Humor também! O Cristão é um ser de alegria!
Paz!

Leonardo Boff

Todos os seres vivos superiores possuem acentuado sentido lúdico. Basta observa os gatinhos e cachorros de nossas casas. Mas o humor é próprio só dos seres humanos. O humor nunca foi considerado tema “sério” pela reflexão teológica, sabendo-se que ele se encontra presente em todas as pessoas santas e místicas que são os únicos cristãos verdadeiramente sérios. Na filosofia e na pscinálise teve melhor sorte.

Humor não é sinônimo de chiste, pois pode haver chiste sem humor e e humor sem chiste. O chiste é irrepetível. Repetido, perde a graça. A historieta cheia de humor conserva sua permanente graça; e gostamos de ouvi-la repetidas vezes.

O humor só pode ser entendido a partir da profundidade do ser humano. Sua característica é ser um projeto infinito, portador de inesgotáveis desejos, utopias, sonhos e fantasias. Tal dado existencial faz com que haja sempre um descompasso entre o desejo e a realidade, entre…

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Paciência Pequenez e o Desperceber: Critérios para o Reinado de Deus

Robson Cavalcanti

Leigo, Teólogo Católico

Por ocasião do 16º Domingo do Tempo Comum 20 de Julho de 2014

Referência bíblica: Mt 13. 24-43

Naquele tempo, 24Jesus con­tou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, se­meou joio no meio do trigo, e foi embora. 26Quando o trigo cres­ceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu cam­po? Donde veio então o joio?’ 28O dono respondeu: ‘Foi algum ini­migo que fez isso’. Os emprega­dos lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ 29O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. 30Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!’”. 31Jesus contou-lhes ainda uma outra pará­bola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32Embora ela seja a me­nor de todas as sementes, quando cresce fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fa­zem ninhos em seus ramos”. 33Je­sus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como um fermento que uma mu­lher pega e mistura com três por­ções de farinha, até que tudo fique fermentado”. 34Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábo­las, 35para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”. 36Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a pará­bola do joio”. 37Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Malig­no”. 39O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. 40Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no final dos tempos: 41o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; 42e depois os lançarão na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. 43Então os justos brilharão como sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”

Introdução

Quero começar dizendo que quando eu me coloco a preparar a reflexão em casa, muitas perguntas vêm à tona, como a de saber o que dizer, se vale a pena dizer, se o povo está disposto a ouvir, as vezes me dá desanimo, alegria, uma mistura de sentimentos. Daí me pergunto: Como Jesus mexe comigo ainda hoje? Como sua palavra de 2000 anos ainda me incomoda ou me alegra?

O evangelho de hoje me incomoda e ao mesmo tempo me traz sentimentos novos, visão nova. Então eu Creio e me alegro, porque EVENGELHO SIGNIFICA BOA NOVA DO REINO DE DEUS.

E tem outra coisa: Essa palavra se fez ser humano e se chama Jesus Cristo. Então fico ainda mais alegre, mais confiante, porque de fato, sinto que Jesus fala comigo e meus sentimentos são o sinal disso.

No evangelho do domingo passado, quem lembra? Falava do semeador. No final Jesus explica a parábola dizendo: O Papa Francisco também nos lembra que é o solo do nosso coração que produz fruto e que devemos nos perguntar: que fruto estamos produzindo? Também lembra que não somos somente terreno, mas semeador. E pergunta: Que tipo de semente estamos lançando para o outro? O que sai do meu coração pela minha boca? Minhas palavras são boas ou más? Hoje somos novamente convidados a perceber o Reino de Deus em nós

Desenvolvimento

O Trigo e o Joio a Mostarda e o Fermento: Paciência, Pequenez, Desperceber

O Trigo e o Joio: Paciência

As parábolas de hoje revelam um DEUS DE AMOR E PACIÊNCIA. A primeira parábola que fala do joio e do trigo, É uma parábola transparente, fala tudo e é explicada por Jesus no seu tempo aos seus discípulos. Seu ensinamento que vale para todo o sempre pode ser sempre atualizado para a nossa vida.

QUEM SEMEOU A SEMENTE BOA – Ser humano / CAMPO – Mundo / BOA SEMENTE – cidadãos do reino / JOIO – O mal / INIMIGO QUE SEMEIA – O diabo / CEIFA – fim do mundo / CEIFADORES – Anjos /

É verdade que existem forças empenhadas para gorar, fazer dar errado a boa colheita, muitas vezes se aproveitando do descuido ou até do momento de momentos de lazer e descanso. Mas cuidado para também não nos transformarmos em Joio! A gente pode se confundir porque ele cresce junto com o trigo. Mas no fim da vida o Joio vai ser separado do trigo e vai para o fogo. Se pergunte: Porque o Reino de Deus não cresce? Porque essa comunidade não cresce? O que eu to fazendo para mudar? Sou mais joio ou trigo? Porque eu acho que Deus não vence o mal? Porque tanta maldade?

O evangelho nos dá a entender que seja porque o joio e o trigo crescem juntos e não dá pra separá-los, pois é perigoso arrancar o mal e o bom também ser arrancado junto, o bom seja confundido com o mal. Mas vai chegará o dia da colheita. Deus quer mostrar e explicar o mistério do mal pra gente.

A mostarda: Pequenez

Nesta parábola DEUS não espera que façamos votos hoje e que de noite já sejamos cidadãos completos para o seu Reino. O Reino é como a semente de mostarda, começa pequeno. Importa que ele cresça. Importa insistirmos em querem ser cidadão desse reino. Vencer a tentação dia-a-dia nos vários lugares de convivência: família, trabalho. Escola, igreja. Fazer ele ficar grande, acolher mais e mais pessoas.

O fermento: Desperceber

E o Reino de Deus não cresce se mostrando. É como o fermento. Ninguém vê o fermento na massa. É como aqui na comunidade. Ninguém aqui se gaba do que fez para torná-la mais bonita, maior, simplesmente fez. No meio de vocês tem gente que faz um rebuliço para ajudar a Igreja de Jesus crescer e ninguém sabe. É assim que tem que ser. Cada um ajude muito, muito essa comunidade, seja com os braços, as pernas, a cabeça, os lábios, os joelhos, com dinheiro, seja doando produtos de limpeza e higiene, pano, tanta coisa. Vem e se doa para Jesus. Se a comunidade cresce, o Reino de Deus também cresce.

O livros do antigo testamento como a sabedoria (12 13.16-19) e o salmo (85(86) confirmam o amor e paciência para que o Reino aconteça na atenção e no cuidado de Deus para conosco, a sua bondade sua clemência e a sua fidelidade. A carta aos romanos ( 8 26-27) mostra o Espírito Santo que nos socorre intercede e age como mediador entre a gente e Deus, tudo em vista de sermos discípulos fiéis.

 

QUEM TIVER OUVIDOS OUÇA!!!

Podemos perceber que estas parábolas dão exemplo de como é o REINO DE DEUS. O tema destas parábolas é REINO DE DEUS. Esse reino que como já disse pode ser compreendido e exige resposta, exige que a gente dê uma resposta, pode ser dada a resposta aqui, na Igreja, ajudando uns aos outros. E quem não aceita essa verdade, essa realidade, por mais que diga outra coisa, no fundo ela se nega a compreender. Ela fica indecisa e resiste a entrar numa nova vida no modelo de um cidadão e cidadã do Reino de Deus.

A gente vê o sinal do Reino de Deus nos atos não é? Mas aonde a gente sente mais forte a presença de Jesus Cristo? É aqui né? Então, a gente precisa ver a Igreja como o Reino que a gente pode ajudar a construir também! É um gesto concreto, que prepara nosso coração para o gesto que só Deus vê.

Eu Espero sinceramente minha gente que a cada domingo o evangelho possa te trazer algo novo para a vida de cada um de vocês, não importa se um sentimento de culpa, cobrança, alegria, esperança, fé, amor. Acho que o que importa é essa novidade, esse falar ao nosso coração, é Jesus falando conosco sobre o Reino de Deus, é a boa nova da salvação e do Reino de Deus entrando na gente.

E é um Reino não como teoria, mas como proclamação que pode ser compreendida e exige resposta, exige que a gente dê uma resposta, uma mudança de atitude, uma nova forma de ver a vida. Quem tem ouvidos ouça!

 


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El milagro que Juan Pablo II se negó hacer: Eduardo Galeano

Forte, comovente e verdadeiro…

Leonardo Boff

 Dom Oscar Arnulfo Romero era um bispo do  interior e  conservador. Transferido para a Capital El Salvador  começou a dar-se conta da dizimação que os militares faziam dos opositores da ditadura  e de simples camponeses. Depois de assassinarem o padre Rutilio Grande deu-se conta da barbárie que estava em curso. Converteu-se à causa dos direitos dos pobres e da teologia da libertação que reflete a partir da opressão perversa contra muitos do povo. Encontrei-me várias vezes com ele. Tinha uma clara aura de santidade e a bondade e a doçura de seu olhar o comprovavam.  Numa das vezes em 1979 em Puebla no Mexico me chamou ao lado e pediu-me: “Padre Boff, vc que é teólogo, ajude-nos a fazer uma teologia da vida por que no meu pais a morte é absolutamente banal. Estão matando catequistas apenas pelo fato de terem consigo o catecismo que ensinam crianças,alegando que estão indotrinando-as…

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A memória sexual: base biológica da sexualidade humana:

Um artigo que muito enriquece nosso intelecto mas também que mexe com nossos ser e nossos sentimentos

Obrigado amigo L Boff.

Leonardo Boff

Para compreendermos em profundidade a sexualidade humana, precisamos entender que ela não existe isolada, mas representa um momento de um processo maior: o biogênico.

A nova cosmologia nos habituou a considerar cada realidade singular dentro do todo que vem sendo urdido já há 13,7 bilhões de anos e a vida há 3,8 bilhões de anos. As realidades singulares (elementos físico-químicos, microorganismos, rochas, plantas, animais e seres humanos) não se juxtapõem mas se entrelaçam em redes interconectadas constituindo uma totalidade sistêmica, complexa e diversa.

Assim, a sexualidade emergiu há um bilhão de anos como um momento avançado da vida. Depois da decifração do código genético por Crick e Dawson nos anos 50 do século passado. sabemos hoje comprovadamente que vigora a unidade da cadeia da vida: bactérias, fungos, plantas, animais e humanos somos todos irmãos e irmãs porque descendemos de uma única forma originária de vida. Temos, por exemplo, 2.758 genes…

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Amor, unidade e Trindade – Domingo da Santíssima Trindade

Robson Cavalcanti

Leigo, Católico, Teólogo e assessor da comissão de teologia e formação do CLASP

 

Referência bíblica Jo.3.16-18.

16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

Irmãos e Irmãs, estas são palavras de Salvação. Amém!

Introdução

No nosso cotidiano, em diversos lugares que convivemos, como o trabalho, a escola, a família, as associações, percebemos a riqueza do caráter universal de Deus. Lá a Bíblia tem espaço até para aqueles que não praticam o cristianismo. Interpretada como filosofia, ou de outra forma, mesmo assim se consegue dialogar e chegar a um ponto comum: “ela traz valores para nossa vida, como o de precisarmos estar unidos para que o mundo seja melhor para nós e para as futuras gerações”. Assim entendo o evangelho e este texto. O mundo é de Deus e a salvação é para ele todo.

Neste evangelho a simpatia pelos excluídos e desprezados é visível. E neste trecho, o evangelista pretende aprofundar a interpretação salvífica da serpente, na qual Jesus se identifica, sendo enaltecido por Deus (Jo. 3.14-15). Mas aqui nos é mostrado uma novidade, raiz mais profunda do mistério que está sendo evidenciado. Deus amou tanto o mundo que nos deu seu unigênito. O termo unigênito que também pode ser traduzido por único significa imensamente querido, como foi Isaac à Abraão. É importante lembrar que este texto é dirigido à comunidade joanina, ou seja, pessoas que conheciam a fé e prática Cristã.

“Quais as características permanentes para viver uma experiência Trinitária?”

O amor do Pai…

Este amor que não faz distinção entre suas criaturas. Ama toda a sua criação e não somente nós, humanos e muito menos cristãos só porque somos sua imagem e semelhança. O amor de Deus é universal. Este amor emanado por Deus à sua criação faz com que ele doe aquilo que ele tem de mais precioso: Seu filho Jesus. Mas Deus não o entregou ao sofrimento e a morte para pagar nossos pecados com seu sangue, pois Deus não é um sanguinário, um assassino. Antes, ele doou seu filho amado, seu único filho, Jesus, dom de Deus, para manifestar seu amor e graça diante de nós e para manifestar o Reino de Deus, que aqui o evangelista preferiu chamá-lo de Vida Eterna. Para nós Cristãos aparentemente é uma tarefa fácil crer em Jesus. Mas para a época acreditar que um Judeu com dons extraordinários, que se intitulava como filho do homem, que era de fato o filho único de Deus e que através dessa fé seria garantida a vida eterna, não era uma tarefa nada fácil. Hoje, neste mundo cada dia mais corrompido pelo egoísmo, individualismo, consumismo, desamor, incredulidade e falta de esperança, somos convocados a crer no Filho de Deus imensamente amado e querido e proclamar o evangelho da libertação deste mundo, para um mundo de vida abundante, acreditando em Jesus Cristo como salvador.

A salvação no Filho…

…A salvação através de Jesus Cristo é o cumprimento da vontade de Deus que o envia ao mundo. Sabemos que a vontade de Deus consiste na vontade de que todos tenham uma vida abundante de Justiça e Paz. Portanto somos desafiados a proclamar um Deus que é amoroso e misericordioso, que não castiga ninguém, que não pesa a mão sobre ninguém, que não condena ninguém, mas que espera ansioso pela conversão do mundo ao cuidado mútuo, aos sinais do Reino que são traduzidos nos gestos de Jesus Cristo. Lembremo-nos que somos nós seres humanos dotados de inteligência, os responsáveis pela nossa própria condenação. Mais ainda, somos responsáveis pela condenação de toda a criação de Deus se não colocarmos na nossa mentalidade uma salvação plena. É de extrema necessidade que tenhamos nas nossas cabeças a dimensão da imitação dos gestos de Cristo, buscando colocar nossos passos nos passos de Jesus em vista de um mundo salvo e transformado por Deus.

A comunhão com o Espírito Santo…

…Esta comunhão gera força, fogo, que nos move pela fé, juntamente com Deus e Cristo Jesus, em vista da transformação do nosso mundo em um mundo mais humano e fraterno. Quem aceita Jesus Cristo como dom de Deus, quem na fé adere a Jesus não será condenado por ele, ao contrário, será salvo. Mas aquele que não creu, já se condenou. Hoje temos muitas pessoas que ainda não foram atingidas por Jesus. No entanto, não é a estes que está prometida a condenação da incredulidade. Nós cristãos esquecemos sempre deste trecho do evangelho, no qual ele quer tocar primeiro naqueles que já perceberam o valor vital de Jesus, que já conhecem a mensagem cristã, o caminho, a verdade, a vida, mas mesmo assim não querem acreditar. Hoje, corremos o risco de querer anunciar o evangelho aos considerados sem Deus, sem Jesus, esquecendo-se de fazer nosso dever de casa, nosso papel como cidadãos e cidadãs cristãos na construção de um mundo mais justo e digno para nossas gerações futuras. Ou ainda, nos esquecer dos problemas atuais da sociedade como a fome, a escassez dos recursos naturais, a degradação do meio ambiente a ponto de não garantirmos a vida das próximas gerações.

Conclusão

Portanto, queridos irmãos irmãs, precisamos nos perguntar se estamos engajando nossas vidas por esse Jesus que nós conhecemos como Dom do amor de Deus de forma plena e universal, que doou sua vida por todos ou só estamos enfatizando uma dimensão da vida, seja ela material ou espiritual. Quem pratica a verdade e age com lealdade como Abraão, em relação a Deus, aos irmãos e a criação inteira, dá testemunho da prática solidária, que é vontade de Deus. A obra de Cristo é o plano do amor do Pai para o mundo, na qual o amor une Pai, Filho, Espírito Santo, na mesma obra de salvação. Jesus conhece o interior de Deus e o mostra para o mundo. Deus se dá ao filho e diante disso o mundo inteiro pode encontrar a salvação, a superação dos nossos pecados. Vai depender de nós cristãos que conhecemos a verdade, o empenho de assumir atitudes de promoção da vida, que se configura no amor ao próximo que é o principal mandamento deixado por Jesus Cristo, ajudando os necessitados e principalmente envolvimento nas lutas sociais e políticas que podem de fato ter uma mudança significativa para muitos, sobretudo os pobres, atingindo inclusive aquelas pessoas que nem estão no nosso horizonte. O mistério que nos envolve hoje é o do Pai e do Filho, no seu amor para o mundo. Essa unidade no amor, Santo Agostinho a identificou como Espirito Santo.

Meus irmãos e minhas irmãs, façamos o possível para que estas características da Trindade Santa estejam gravadas em nosso coração!

Louvado Seja nosso Senhor Jesus Cristo! Amém!

Por ocasião do Domingo da Santíssima Trindade, Ano A.


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Na expectativa de Pentecostes…Por Pe. Reginaldo Veloso

Que possamos refletir as palavras deste homem,  pastor e grande poeta, do qual quase todos os domingos animamos as celebrações com suas canções. Que o Espírito Santo esteja contigo!

Robson Cavalcanti

Leigo, Católico, Teólogo e assessor da comissão de teologia e formação do CLASP

Eis o Texto:

Entre outras virtudes, as celebrações do Ano Litúrgico, através da dinâmica do “memorial”, nos propiciam a vivência sempre atualizada do Mistério da Salvação, retomando, as facetas peculiares de cada Tempo, de cada Festa, e nos levando a experimentar a força da Palavra criadora e do Espírito renovador.

Ao aproximar-se, então, mais uma vez a Festa de Pentecostes, os Domingos do tempo Pascal, fazem ecoar as promessas feitas por Jesus, especialmente no Evangelho de João, do envio do Espírito da Verdade, o Advogado, o Confortador, o Consolador. Hoje, poderíamos, ao gosto da nomenclatura atual, chamá-lo também de “Assessor”!

Que venha o Espírito prometido! Aliás, sua irrupção na História, muitas vezes, se dá da maneira mais inesperada. Temos exemplos recentes e ofuscantes: a renúncia de Bento XVI e, sobretudo, a eleição de Francisco, Bispo de Roma.

E como precisamos de que esta irrupção transformadora chegue a atingir, de maneira ampla e profunda todo o Corpo da Igreja, infectado, ao longo das últimas décadas pela retomada do mais decadente clericalismo, com a sistemática nomeação de bispos medíocres e a consequente ordenação de uma legião de presbíteros, “dotados”, ao mesmo tempo, de inescamoteável incompetência e exacerbada consciência de “poder”, pernicioso binômio, que normalmente leva à prepotência, no trato de pessoas e na gestão da vida eclesial, ao mercenarismo, ao aburguesamento e à mercantilização da vida religiosa.

O resultado lastimoso de tudo isso é a imbecilização do Povo de Deus. Assistimos atônitos ao “florescimento” de um tipo de experiência religiosa que se propaga com a velocidade de uma praga e se consubstancia da prática das “devoções” mais esdrúxulas, que vão, da venda de água benta engarrafada e rotulada, a “missas de cura”, passando por um variado leque de “terços” e “escapulários” e “bênçãos” e “correntes” e “novenas” e “adorações” e “louvores”, bem como os ruidosos e agitados megashows, com direito a todas as bizarrices possíveis, com ampla cobertura do rádio e da televisão. Aliás, há canais de TV e rádios que se dedicam exclusivamente a esse tipo de manipulação de pessoas, o mais pernicioso “produto” da onda consumista do sistema capitalista, que descobriu na “religião” seu mais novo e ubertoso filão.

É triste e preocupante assistir à banalização da Eucaristia, expressão mais significativa da vida eclesial, à mediocridade ridícula das homilias, às aberrações com relação ao culto dos Santos e Santas, sobretudo da Mãe do Senhor, em suma, à alienação religiosa, que vem esvaziando a vida de tantos cristãos, entre outras, da dimensão de Cidadania, de compromisso sócio-político, num tempo de tanta urgência.

Enquanto isso, por onde a gente passa, escutam-se os lamentos e reclamos de gente que vem das CEBs, dos Movimentos de Evangelização de cunho libertador e das Pastorais Sociais, que já não encontram arrimo nas paróquias e dioceses e vivem uma lamentável experiência de orfandade. Praticamente entregues à própria sorte, somente à custa de muito desprendimento, de heroica generosidade e espírito de militância, conseguem perseverar, em clima de resistência, num caminho evangélico de fé, esperança e fraterna solidariedade.

É, em nome desse atual “Resto de Israel”, em nome do resgate da cidadania eclesial e social, que urge articular todas as forças vivas do que resta da Igreja renascida do Concílio Vaticano II e de Medellín, em nosso país e em nosso Continente, aproveitando, por exemplo, o ensejo das comemorações do Cinquentenário conciliar, no sentido de ver “A Alegria do Evangelho”, tão oportuna e inspiradamente anunciada por papa Francisco ir, pouco a pouco, desabrochando de um verdadeiro esforço de retomada da “primavera” que o Santo João XXIII, mais de 50 anos atrás, desencadeou qual “novo Pentecostes”.

Neste sentido, façamos a próxima Novena de Pentecostes, abrindo os olhos aos “sinais dos tempos”, e os corações, aos desafios acolhidos à luz da fé bíblica como apelos de Deus, em busca de respostas criativas, profundas, eficazes e ecumênicas, na força do Espírito Santo. Ver, julgar e agir, eis o que importa, mais que nunca.

[Reginaldo Veloso é presbítero das CEBs e assistente do Movimento de Trabalhadores Cristãos – MTC – Região Nordeste 2]

Fonte: http://www.adital.com.br/?n=cq65