Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"


Deixe um comentário

No encontro, o amor, no amor o servir

Robson Cavalcanti

Referência bíblica

Lc 1,39-45.

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigin­do-se, apressadamente, a uma ci­dade da Judéia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isa­bel. 41Quando Isabel ouviu a sau­dação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um gran­de grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” 43Como posso merecer que a mãe do meu Se­nhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe pro­meteu”.

Acolhida da palavra

Bom dia meus irmãos e irmãs! É sempre uma alegria partilhar a palavra de Deus com esta comunidade de fé. Hoje as vésperas do natal de Jesus, somos convidados a mergulhar ainda mais nesta maravilhosa benção para que possamos viver verdadeiramente o sentido do natal em nossas vidas.

O evangelho de hoje, nos oferece diversas linhas de raciocínio que podemos interpretar o texto e trazer para nossos dias, que chamamos chaves de leitura. Gostaria de falar ao menos sobre a questão do encontro e do servir ao próximo.

Começando… “Maria prima de Izabel, partiu para a região montanhosa apressadamente”. Sabe-se que essa região montanhosa era mais ou menos 100km de distância e que naquela época não tinha ônibus, nem pau de arara e muito menos metrô. Maria estava grávida, e uma mulher que já ficou grávida sabe que nestas condições nem tudo é fácil de se fazer. No entanto ela foi prontamente ajudar Izabel nos últimos meses de gravidez, acredita-se que Izabel estava no sexto mês. Em outro trecho diz que Maria ficou lá por 3 meses, que significa – o tempo que foi preciso, necessário.

No encontro o amor

A visita de Maria alegra o ambiente e a saudação de Maria enche Izabel do Espírito Santo que exclama. O evangelho nos mostra o encontro de bênçãos entre duas mulheres, que na mentalidade da época eram discriminadas. De um lado Izabel que irá conceber um filho na velhice. Do outro Maria uma jovem que está gravida sem conhecer homem algum.

Maria não se sente melhor por ser mãe do Messias, mas leva consigo a lição de que não veio para ser servida, mas para servir. Lição esta que Jesus leva consigo pela vida toda.

O versículo 45 – bem aventurada aquela que acreditou – nos mostra a fé de Maria em dizer sim ao projeto de Deus para que ele aconteça. Através de Maria Deus veio habitar entre nós na pessoa de Jesus Cristo e nos salvar. Maria é a primeira cristã e a primeira missionária.

No que mais essas coisas podem iluminar nosso dia a dia?

Numa sociedade individualista como a nossa, nós cristãos precisamos valorizar o encontro e o serviço. No encontro há surpresas e alegrias e se pode experimentar o encontro como visita do próprio de Deus e o serviço aos irmãos. Outro dado é a prontidão ao chamado de Deus para o serviço. Nós precisamos ser como Maria, não ficar pensando mas agir. A boa nova de Deus se revela na simplicidade da rotina doméstica:  Duas donas de casa, grávidas, se visitando e se ajudando, pois Izabel já tinha mais experiência, mais vida de barriga. Deus quer que nós descubramos a presença de Deus e seu Reino nestas coisas simples. Maria serviu ao ter que ser servida, mesmo sendo a mãe do messias.

No amor o servir

Por fim, que esse evangelho mostra a importância de vocês mulheres na história da salvação. Uma espera João Batista o último dos profetas e anunciador do messias. E a outra espera o próprio menino Deus. Quantas são as mulheres do nosso tempo portadoras de bênçãos graça e salvação. Esposas, filhas, mães que assumem uma missão e se doam as vezes a vida toda aos pais, filhos e maridos. E vocês mulheres da comunidade, que com seu sim, dedicam mais tempo a comunidade do que seus próprios líderes, levando a comunidade a diante, limpando, lavando, organizando, fazendo acontecer. A vocês o evangelho as exalta e vos abençoa mostrando que estão no caminho certo, fazendo a vontade de Deus.

Que neste domingo possamos sair daqui pensando no evangelho, nas demais leituras e nestas coisas que acabaram de ouvir a fim de que a vontade de Deus aconteça na vida do cotidiano e na história do povo de Deus que somos nós.

Que o Senhor continue nos agraciando, colocando em nosso caminho, essas mulheres cheias do Espírito Santo que fazem a diferença no lar e na Igreja.

Que o Senhor vos abençoe e abençoe nosso Natal, para que ele seja marca de amor na família e a Deus. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo! Amém!

Por ocasião do 4º Domingo do Advento ano C. 20-12-2015,

Comunidade Cristo Ressuscitado.

 


1 comentário

Feliz Natal de Jesus em 2015 e um prospero 2016!

Dedico esta mensagem do nosso querido profeta de São Felix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, a todos vocês meus queridos!

Sobe a nascer comigo,
diz o poeta Neruda.
Desce a nascer comigo,
diz o Deus de Jesus.
Tem que nascer de novo,
irmãos Nicodemos,
e tem que nascer subindo desde baixo.

De esperança em esperança,
de presépio em presépio,
ainda há Natal.
Desconcertados pelo vento do deserto
que não sabemos donde vem
e para onde vai.
Encharcados no sangue e na cobiça,
proibidos de viver
com dignidade,
somente este Menino nos pode salvar.

De esperança em esperança,
de presépio em presépio,
de Natal em Natal.
Sempre de noite
nascendo de novo,
Nicodemos.

“Desde as periferias existenciais”;
Com a fé de Maria
e os silêncios de José
e todo o Mistério do Menino,
há Natal.

Com os pobres da terra,
confessamos
que Ele nos amou até o extremo
de entregar-nos seu próprio Filho,
feito Deus vindo a menos,
em uma Kenosis total.
E é Natal.
E é Tempo Novo.

E a consigna é
que tudo é Graça,
tudo é Páscoa,
tudo é Reino.

Pedro Casaldáliga (2014)

Fonte: http://palavrasdepoder.com.br/a-poetica-mensagem-de-natal-de-dom-pedro-casaldaliga/


Deixe um comentário

Conversão e Missão

Robson Cavalcanti

Referência bíblica

Mc 16. 15-18

Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, 15e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! 16Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. 17Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mão sobre os doentes, eles ficarão curados”. Palavra da Salvação.

Introdução

Desde o começo de Janeiro, a liturgia nos trouxe os relatos sobre Jesus Cristo, o nascimento, infância, apresentação no templo, batismo. No domingo passado ouvimos sobre o chamado dos doze. Nas cartas de Paulo, sempre uma palavra para uma comunidade.

Mas hoje a Igreja celebra a conversão do apóstolo Paulo e a Igreja de São Paulo comemora com alegria a festa do seu padroeiro. A liturgia nos leva aos últimos versículos de Marcos para entendermos a missão dos discípulos e dos apóstolos, entre eles Paulo e a primeira leitura vai falar da sua conversão. Nossa cidade comemora hoje 461 anos. O nome São Paulo foi escolhido para nossa cidade porque foi no dia 25 de janeiro a fundação do colégio dos jesuítas, mesmo dia no qual a Igreja Católica celebra a conversão do apóstolo Paulo de Tarso, conforme disse o padre José de Anchieta em carta à Companhia de Jesus.

Onde está a boa nova para nossos dias?

O envio

Jesus envia os apóstolos, aqui chamados de discípulos,     pelo mundo inteiro e a toda Criatura. Isso significa que a boa nova é para todas as pessoas, sem nenhuma distinção, desde a classe social, a etnia, a cor, a religião etc. Assim aconteceu com o Apóstolo Paulo que de Perseguidor passou a ser perseguido por causa de Jesus. E o fez com fé e orgulho. O tom universal do Cristianismo que vivemos é uma Graça de Deus para nossas vidas, ao lembrar das guerras que são travadas por causa da religião. Jesus extrapola o Catolicismo e próprio Cristianismo e se relaciona com todos. Deus é para todos e a salvação também, pois Deus não quer meio mundo salvo, mas ele o quer por inteiro salvo.

Crer

A fé é o ingrediente principal para o Discipulado e para a Missão. Quem não crê no Senhor acabará sendo condenado, não porque o Senhor quer, mas porque alguém longe da graça de Deus, longe da luz do Senhor, é alguém que está nas trevas e que pode facilmente ser influenciado a tomar o caminho do mal.

Paulo ampliou sua fé que passou de judaica para cristã, cedeu ao amor de Jesus que roubou seu coração e o tornou seu apóstolo.

Sinais

E para aqueles que creem o evangelista lista alguns sinais, atitudes que Jesus tinha e que agora gostaria que nós também tivéssemos, entre eles:

Expulsar demônios, falar novas línguas, beber     venenos e sair ileso, ou ainda imposição das mãos.

O que podemos destacar aqui é a benção e a proteção de Deus para conosco assim como foi com Jesus. Para o anúncio da palavra, o testemunho cristão, a vontade de Deus, o Senhor está sempre conosco.

A palavra “Ide” aqui nos chacoalha, nos tira da zona de conforto e nos dá força para enfrentar o mundo como ele é e irradiá-lo com testemunho de Jesus, assim como Paulo fez na sua vida.

Ao descrever sua trajetória, Paulo quer deixar para nós aqui hoje o testemunho da sua conversão. Ele se torna exemplo de discipulado, o que garante seu lugar e número na lista de Apóstolos.

Portanto,

Ide também nós realizar a missão de Jesus Cristo, e modificar as estruturas da nossa cidade, para que ela seja uma terra prometida, um lugar bom para se viver. Vamos nós também enxergar a vontade de Deus e realizá-la invocando o nome Santo do Senhor Jesus

E assim como Ananias disse outrora para apóstolo Paulo: E agora, o que está esperando? Levanta-te recebe o Batismo e Purifica teus pecados. Eu diria: Nós que já somos batizados, todos os domingos recebemos a purificação no ato penitencial e recebemos Jesus Cristo Vivo na comunhão, “E agora o que estamos esperando?”

Vamos realizar a vontade de Deus!

 

A propósito do dia 25 de Janeiro de 2015 – Conversão do Apóstolo Paulo.

Comunidade Cristo Ressuscitado.


Deixe um comentário

De Frei Betto: FAÇA NOVO O TEU ANO

Do nosso amigo Frei Betto para um 2015 melhor

Leonardo Boff

Nada melhor para esse início de ano de 2015 que promete ser um caminho de espinhos e de abrolhos do que estas palavras sábias e esperançadoras de frei Betto, um dos que melhor escreve sobre espiritualide e sobre engajamento para transformação social a partir dos mais esquecidos e sofredores. Toda sua vida vem marcada por esta opção, em razão da qual está nas origens do programa Fome Zero do governo de Lula-Dilma. Não fez outra coisa que repetir o gesto de Jesus, o de multiplicar os pães e os peixes. Esta iniciativa ficará imorredoura na história de nosso país: Lboff

*******************

 Neste ano-novo, se faça novo, reduza a ansiedade, regue de ternura os sentimentos mais profundos, imprima a seus passos o ritmo das tartarugas e a leveza das garças.


Não se mire nos outros; a inveja mina a autoestima, fomenta o ressentimento e abre, no centro do coração, o buraco…

Ver o post original 469 mais palavras


Deixe um comentário

Um esperar em movimento

Robson Cavalcanti

Referência bíblica

Mt 25 14-30

“O Reinado de Deus acontecerá como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamando seus empregados, entregou seus bens a eles. A um deu cinco talentos, a outro, dois, e um ao terceiro: a cada qual de acordo com a própria capacidade. Em seguida, viajou para o estrangeiro. O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. Do mesmo modo o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas, aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. Depois de muito tempo, o patrão voltou, e foi ajustar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos, entregou-lhe mais cinco, dizendo: “Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. O patrão disse: “Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria’. Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: “Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão disse: “Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria’. Por fim, chegou  aquele que havia recebido um talento, e disse: “Senhor, eu sei que tu és um homem severo pois colhes onde não plantaste, e recolhes onde não semeaste. Por isso, fiquei com medo, e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. O patrão lhe respondeu: «Empregado mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não plantei, e que recolho onde não semeei. Então você devia ter depositado meu dinheiro no banco, para que, na volta, eu recebesse com juros o que me pertence’. Em seguida o patrão ordenou: “Tirem dele o talento, e dêem ao que tem dez.  Porque, a todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a esse empregado inútil, joguem-no lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes”.

Introdução

Espera subentende ficar parado. Mas esperar a vinda de Jesus, o Reino de Deus ou o Julgamento final deve ser diferente para o Cristão, o Cristão é aquele que se coloca a caminho, peregrino sempre, rumo ao encontro com Jesus Cristo face a face.

Esta passagem bíblica do final do evangelho de Mateus está em forma de parábola. Anuncia o julgamento final, a volta de Jesus Cristo, o fim do mundo e o Reinado de Deus. Faz parte de um conjunto de três estórias. Domingo passado sobre as moças e o noivo, hoje sobre os talentos e domingo próximo sobre o julgamento final.

O que Deus espera de nós?

O Patrão viajante sem dia e hora para voltar

No começo dessa passagem, temos o patrão que viaja para o estrangeiro. Ele confia seus bens a três empregados de acordo com a suas capacidades. Note que o patrão sabe a capacidade de administração de cada um.

Assim como o patrão, Jesus Cristo entregou a nós, discípulos, seus bens: A construção do Reino de Deus, a Vida, a Natureza, o Mundo e tudo que há nele. Confiou a missão de anunciar até os confins da terra e principalmente de amar. Ele nunca dá uma cruz que não podemos carregar, um fardo mais pesado do que podemos suportar, ele conhece nossas capacidades.

Servos bons e fiéis

Dois servos trabalharam seus dons, multiplicou-os. Isso supõe o esforço humano e pessoal de transformar a obra confiada. Os dons se multiplicam na medida que o trabalhamos. E Deus sabe e você sabe ai no seu coração, o que você tem capacidade de exercer por Jesus Cristo. Por exemplo, na Igreja. Tenho certeza que muitos de nós temos total capacidade de realizar diversas coisas que possam ser feitas na Igreja. Deus nos deu esta capacidade. Mas é preciso trabalhá-las. Existem exercícios físicos, muitos o fazem, desde os jovens aos da melhor idade. Mas quantos de nós exercitamos o Espírito. Sim existem exercícios espirituais também.

Servo mau e preguiçoso

Houve então um servo que não trabalhou seu dom. Preferiu culpar o patrão. O chamou de severo, exigente. Ficou com medo. Pedro Casaldáliga, Bispo e Profeta de São feliz do Araguaia, disse certa vez: que “o problema é ter medo do medo”. O medo paralisa, nos deixa inerte e às vezes indiferente. O servo também escondeu o talento. Talento que Deus o abençoou para dar fruto, para trabalhar e multiplicar.

Quantos de nós culpamos Deus pelos acontecimentos na nossa vida? Quantos de nós dizemos que Deus é muito severo e exigente em querem ser cultuado, ao menos 1 vez por semana no domingo e em 3 ou 4 horários de missa. Quantos de nós temos uma ideia de Deus que dá medo? Quantos de nós estamos com nossos talentos enterrados, meus irmãos e irmãs?

Pois bem, estas não são perguntas que eu faço a vocês. São perguntas que o evangelho faz a nós para mexer com a gente. Lembra? O evangelho tem que ser boa nova que mexe com a gente!

Um esperar em movimento

Jesus Cristo quer que esperemos seu Reinado, a sua vinda, seu julgamento final, como se espera um ladrão, vigiando. São Paulo diz em (1Ts 5.1-6) que por estarmos em Cristo, ou pelo menos por precisarmos estar em Cristo, sabemos que o dia do Senhor virá como o ladrão. O fato de sermos filhos da luz, do dia, da Ressurreição, faz com que esse dia não nos surpreenda. Esta espera subentende ficar parado. Mas esperar a vinda de Jesus, o Reino de Deus ou o Julgamento final deve ser diferente para o Cristão. O Cristão é aquele que se coloca a caminho, vai ao encontro, imita Jesus Cristo, peregrino sempre, rumo ao encontro com Jesus Cristo face a face. Esse encontro só se realiza plenamente quando o faz como a mulher em (Pr 31,10-13.19-20.30-31), a esposa forte. E nós igreja somos a noiva, a esposa de Cristo que abre suas mãos aos necessitados e estende as mãos aos pobres e teme o Senhor.  O discípulo de Jesus Cristo não é preguiçoso, inerte e indiferente.

Domingo que vem é o dia nacional dos cristãos leigos, discípulos de Jesus Cristo, nosso dia. Dia da Igreja, pois somos nós uma imensa maioria que formamos a Igreja de Jesus Cristo.

Portanto, escutemos o convite que Jesus faz hoje. Saiamos da inércia, do medo, da espera preguiçosa e vamos esperar o Senhor ocupando nosso lugar na dinâmica, no movimento do reinado de Deus, desenterrando nossos dons que Deus colocou na nossa vida segundo a nossa capacidade e oferecendo a serviço da Igreja e da Sociedade.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Amém!

A propósito do 33º Domingo do Tempo Comum. Comunidade Cristo Ressuscitado, 16 de Novembro de 2014.


Deixe um comentário

Vocação Pastoral dos Leigos e Leigas

Robson Cavalcanti

Teólogo e Leigo Católico

Neste 4ª Domingo do tempo comum, deste mês dedicado as vocações, Igreja celebra a vocação para os ministérios e serviços na comunidade, com uma principal atenção aos leigos e leigas.

O termo Leigo: do negativo ao positivo.

O Termo leigo sugere muitas questões, pois é facilmente associado ao termo laico que significa não clérigo, laical, laico. Mesmo o dicionário Aurélio versão digital, explica no seu segundo ponto que leigo é aquele “que pertence ao povo cristão como tal e não à hierarquia eclesiástica” e no terceiro ponto leigo é aquele “que é estranho ou alheio a um assunto; desconhecedor. É sabido que na idade média, leigo era de fato o ignorante, o que não sabe de nada, o que não sabe o latim, que era língua oficial religiosa católica. Porém no século XXI temos pessoas altamente qualificadas em diversos seguimentos do campo do trabalho, que nos impede de aceitar esse termo com tanta facilidade.

A chave de interpretação para nós Cristãos é a chave de leitura do termo na perspectiva teológica, ou seja, no ambiente eclesial, da igreja, ele adquire novo sentido após o Vaticano II.

Ao buscar o significado do termo recorrendo às contribuições contidas no Dicionário Crítico de Teologia.[1], encontramos a concepção de dois campos semânticos. Um se refere à concepção moderna, na qual leigo é aquele que é independente de confissões religiosas, referente ao estado, manifestando toda a ausência de referências religiosas no sistema político e educacional. O outro campo semântico está ligado à “estruturação da igreja como sociedade religiosa, referente às pessoas ligadas a atividades comuns dos que são batizados, ao contrário dos clérigos, que além de serem batizados, recebem o sacramento da ordem e orientações para atos de governo, ensino e presidência dos cultos”.[2] É sobre este segundo campo semântico que queremos e precisamos dar atenção.

A palavra Leigo, significa, portanto, aquele que pertence ao povo ou provem do povo. É adjetivo da palavra Laos que quer dizer povo.

“Leigos, portanto, significa aquele que pertence ao povo de Deus, guardador e herdeiro da aliança, povo santo. Quer dizer Igreja em seu sentido primeiro e, por conseguinte, é uma palavra que tanto na linguagem judaica como depois na linguagem cristã, designa propriamente para povo consagrado por oposição aos povos profanos.”[3]

Na mesma linha, no Novo testamento é apresentada uma comunidade, um povo definido por sua relação com Deus ou com Cristo: (Igreja de Deus), ekkles°a tou Cristou (Igreja de Cristo), (povo de Deus), swma Cristou (corpo de Cristo)”. “Aqueles que não eram povo agora são povo de Deus”(1Pd. 2.10), com as qualidades do povo do Antigo Testamento, de “povo sagrado, reino sacerdotal”(Ex 19.6), povo que Deus escolheu e formou para que proclamassem louvores para si.”(Is 43.20-21).[4] Se há diferenças entre sacerdotes e leigos, entre os clérigos e o laicato, estas não se encontram na Igreja do Novo Testamento. A distinção neste período se dá entre um povo consagrado a Deus e um povo ainda no mundo. Um povo alienado pelo pecado e um povo santo que não é do mundo, mas está no mundo, ou seja, um povo eleito, colocado à parte, chamado e consagrado para uma verdadeira atuação profética de testemunhar Cristo Jesus. Este povo é dotado de dons espirituais, carismas dados gratuitamente pelo Espírito Santo Deus em benefício do bem comum. (1Co 12.7). A partir destes carismas, brotam os ministérios (diakon°ai) que são a forma prática de viver estes carismas na perspectiva do serviço, distribuídos conforme Deus quer através do Espírito Santo (1Co 12.11). Também é preciso considerar o fato de que os ministérios são distribuídos em vista do bem comum e não como uma distinção hierárquica.

Podemos encontrar no Novo Testamento várias pessoas que hoje poderíamos ousar chamá-los de Leigos como é o caso da Mãe de João Marcos que cedeu sua habitação para acolher Pedro depois que o Senhor o tirou da prisão (At 12.12-17), Lídia, (At 16.12-15), Áquila e Prisca que desempenharam o ministério de didáscalos (mestres, doutrores), considerados os responsáveis por essa tradição leiga na Igreja Posterior,[5] além de serem amigáveis hospitaleiros (At 18.2-3) e generosos cooperadores de Paulo (Rm 16.3), assim como muitos outros como Tirano (At 19.9), Ninfa (Cl 4.15), Filemon (Fm), Caio (Rm 16.23), etc. Outros ajudaram especificamente Paulo em seu trabalho missionário, como por exemplo, Evódia, Síntique, Clemente e outros colaboradores que trabalharam no Evangelho com Paulo (Fl 4.2-3); Trifena, Trifosa e Pérside, as quais trabalharam muito no Senhor (Rm 16.12); Aristaco, companheiro de prisão, Marcos, Jesus o justo, Eprafas cooperadores no Reino de Deus (Rm 16.10-12); Epafrodito, irmão cooperador, que mesmo a beira da morte por amor a obra de Cristo foi enviado aos Filipenses para suprir a falta do vosso serviço (Fl 2.25-30) e tantos outros.[6]

Portanto, é possível identificar os vários ministérios e serviços que Deus realiza, assumidos pelos cristãos “leigos e leigas.” Estes, a partir da disposição dos carismas recebidos pelo Espírito Santo, como dom de línguas, da profecia (1Co 14), são considerados profetas e doutores (At 13.1) aptos a pregar a palavra (2Tm 4.2) e consolidadores das comunidades (Ef 4.11-12). Estes cristãos, ao envolverem-se nas atividades apostólicas, testemunham o serviço e ministério que são carismas dados pelo Espírito Santo de Deus, manifestados livremente.[7]

É importante destacar que a maior parte das conversões ao cristianismo nos dois primeiros séculos se deu, sobretudo, pela ação dos leigos e leigas e não somente graças aos bispos e sacerdotes.[8] Esta ação se dava pela mediação de cristãos de todas as condições sociais. Ricos ofereciam suas casas para os encontros das comunidades que eram formadas, eram as igrejas domésticas. Na classe popular, aconteciam os gestos de amor, sinceridade e conhecimento mútuo, sobretudo das inquietudes que cada um trazia nos corações, onde Cristo realiza o resgate total da escravidão do pecado, para conferir às pessoas a liberdade de filhos e filhas de Deus[9].

Entre estes cristãos leigos, é possível destacar algumas pessoas que marcaram a história através dos gestos de amor e fidelidade ao Cristianismo em tempos de prevalência da perseguição e clandestinidade. Como exemplo, Tertuliano, Orígenes, Justino, Inácio de Antioquia e os milhares de Mártires, entre eles Santa Luzia. Os mártires, cristãos cuja fé está baseada em uma entrega total e incondicional a Deus revelado em Jesus Cristo, um compromisso levado até as ultimas conseqüências, ou seja, até a morte.

A vocação: Deus pergunta, o ser humano responde.

A palavra “vocação é uma palavra de derivada do verbo latino vocare que significa chamar, tradução do termo vocatione, que quer dizer chamado, chamada, convite, apelo, cuja sua raiz é a palavra vox,vocis isto é voz.”[10] Esta colocação ajuda a esclarecer a confusão que pode ser feita sobre este termo ao relacioná-lo com o sentido de inclinação ou aptidão, pois aptidão e inclinação para fazer algo é na verdade, conseqüência do chamado.

A teologia considera a vocação como algo de Deus, um ato de fé, uma força misteriosa e uma realidade teológica, pois “ninguém seria levado a fazer algo, gostar de alguma coisa, se não fosse atraído pela força misteriosa do chamamento.”[11] Nesta realidade é Deus quem chama a todos e todas à existência para realização do seu plano divino de salvação. Portanto, vocação é algo divino, onde os seres humanos se entendem como vocacionados por Deus para responder seu chamado. “Vós não me escolhestes a mim, eu vos escolhi a vós e vos destinei para irdes dar fruto; e para que vosso fruto permaneça” (Jo 15.16).[12]

Mas para complementar o conceito de vocação, o ser humano precisa dar sua resposta ao chamamento de Deus para que a vocação seja completa. “Deus no seu ato de chamar não descarta a participação do ser humano” que é livre para negar ou para decidir e abraçar o serviço comunitário, como os discípulos que “deixaram tudo e seguiram Jesus” (Lc 5.11).[13] Neste sentido, os talentos, a aptidão para realizar algo, devem ser entendidos como dons que Deus atribui aos seres humanos capacitando-os para responder ao seu chamado. Ou seja, “o Senhor oferece os dons de acordo com o tipo de vocação para qual cada um foi chamado”.[14] É um “apelo de Deus oferecendo a sua graça e procurando suscitar uma resposta”, onde “quem é chamado não perde a liberdade”, mas confirma seu compromisso com a missão de serviço à Igreja e ao mundo. Por isso ela “deve ser vista na perspectiva do serviço e da doação, disponibilidade e entrega”. Muitas vezes é necessário abdicar de valores e contra valores, gostos pessoais, inclinações, para dar uma resposta coerente e eficaz ao chamado de Deus. Para ilustrar, temos o exemplo de pessoas que abraçam o casamento e outras a vida consagrada, celibatária ou casta. Não é uma aptidão que distingue uma da outra, uma escolha entre algo bom ou ruim, mas é a vocação para a qual Deus as chamou, expressando a sua vontade e seu Reino.

A vocação se traduz também na comunhão com a trindade, uma vez que ela surge deste Deus portador do mistério trinitário, do Deus relação, Deus comunhão, Deus Pai, Filho e Espírito Santo, fonte e origem de toda vocação, que no seu infinito amor se relaciona e se comunica com os seres humanos.[15]

Pastoral: O pastoreio do Povo de Deus em Jesus Cristo, o bom Pastor

Dentro do tema da Pastoral, é necessário dizer que o catolicismo utiliza o termo pastoral diferente dos protestantes. Para o catolicismo o termo “refere-se à ação coletiva do Povo de Deus como Igreja, cuja hierarquia principal é o Bispo,” considerando a situação social, a memória da fé, a comunidade eclesial e a ordem do ministério episcopal, fazendo da Igreja, participante na história de acordo com os valores evangélicos. No protestantismo, o termo se refere exclusivamente à função do Pastor. A diferença, portanto, consiste no fato do catolicismo indicar uma comunidade, um conjunto de ministérios, enquanto o protestantismo indica o indivíduo, um carisma particular que acaba reduzindo o conceito à pessoa do pastor, que pode passar a acumular responsabilidades e centralizar vários ministérios na sua pessoa.[16]

É possível entender a pastoral como o conjunto de práticas desenvolvidas por clérigos e leigos, visando possibilitar vida abundante e crescimento da comunhão cristã, sendo “presença-sinal de salvação e difusão dos valores cristãos e evangélicos”, presença da “Igreja dentro do conflito, ao lado dos oprimidos e empobrecidos em vista da sua libertação.”[17]

Por uma vocação pastoral dos leigos e leigas autêntica

Os leigos, vivendo o testemunho do evangelho nos seus afazeres do cotidiano santificam o mundo através da sua vocação derivada de Deus. Ou seja, os cristãos leigos e cristã leigas possuem a vocação de colocar Igreja em relação com a realidade do mundo, fazendo-a cumprir sua missão salvadora no mundo. Isso quer dizer que a vocação dos leigos abre a perspectiva da salvação integral e global, onde Deus salva o mundo, a partir do mundo e não somente a partir de uma Igreja.

A igualdade e a unidade entre clero e leigos, onde é reconhecida que a vocação pastoral dos leigos é tão importante quanto à vocação sacerdotal, possibilitam desfazer qualquer abuso de poder e autoridade de ambas as partes, visto que uma é complementar a outra.

A vocação pastoral dos leigos e leigas também abrange sua atuação dentro e fora da igreja, onde de um lado os cristãos leigos são santificadores do mundo, protagonistas da evangelização e da missão e principais testemunhas do Reino de Deus, ao mesmo tempo em que estão orientados para os serviços internos da comunidade eclesial, nos diversos ministérios e pastorais da Igreja Católica. Neste sentido, é destacada a participação dos leigos na vida pública, nos campos: político, econômico e social, como interlocutores entre a Igreja e a sociedade, opostos a injustiça, baseados na ética solidária e detentores das virtudes da vida social. Com relação à atuação dos leigos voltado para as funções internas da Igreja Católica Romana, é possível entender que as Comunidades Eclesiais de Base são indispensáveis para a participação dos leigos na vida comunitária e na missão evangelizadora, pois nelas os leigos e leigas tem condições de vivenciar experiências concretas de apoio mutuo e contribuir em novos ministérios e serviços, expressão da dimensão carismática da Igreja que se renova através do Espírito Santo.

[1]     LACOSTE, Jean-Yes (dir.). Dicionário Crítico de teologia. Tradução: Paulo Meneses. et al. São Paulo: Paulinas: Edições Loyola, 2004. p. 1967.

[2]     BOUGEOIS. “Leigo/ Laicato” In: LACOSTE, 2004. op. cit., p. 1012-1016.

[3]     BOUGEOIS. “Leigo/ Laicato” In: LACOSTE, 2004. op. cit., p. 1012-1016.

[4]     ALMEIDA, 2006. op. cit., p. 20.

[5]     ALMEIDA, 2006. op. cit., p. 27.

[6]     ALMEIDA, 2006. op. cit., p. 22 e 23.

[7]     Ibidem, p. 26.

[8]     Ibidem, p. 31.

[9]     Ibidem, p. 31 e 32 passim.

[10]    OLIVEIRA, 1999. p. 19.

[11]    OLIVEIRA, 1999. p. 20.

[12]    Ibidem, p. 21.

[13]    Ibidem, p. 22.

[14]    Idem.

[15]    OLIVEIRA, 1999. p. 26-32.

[16]    SANTA ANA, 1985. p. 15 e 16.

[17]    LIBÂNIO, 1982. p. 119 e 120.


Deixe um comentário

Nas agitações dos mares da vida, Jesus Cristo nos dá a salvação na Oração

Robson Cavalcanti

Leigo Teólogo Católico

Por ocasião do 19º Domingo do Tempo Comum: 10 de Agosto de 2014.

Referência bíblica: Mt 14. 22-33

Depois da multiplicação dos pães, 22Jesus mandou que os discí­pulos entrassem na barca e seguis­sem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi­-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agi­tada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da ma­nhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, ca­minhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Je­sus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco, prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

Introdução

Bom dia a todos meus irmãos e irmãs em Cristo! Que bom estarmos aqui novamente louvando a Deus! Que bom ouvir a palavra de Deus, o evangelho de Jesus a boa noticia de Jesus. Eu estou feliz por estar aqui mais uma vez compartilhando a reflexão da palavra de Deus com vocês. Quero convidar vocês para refletir a palavra de Deus que no dia de hoje nos traz muitas lições.

O Primeiro livro dos Reis 19 9a 11-13a

Elias está triste e com medo. Triste porque os Israelitas abandonaram a aliança com Deus, derrubaram os altares e assassinaram os profetas e com medo porque agora querem matá-lo. Elias assim como os discípulos está atormentado, está agitado.

O furação, o terremoto, o fogo e a brisa são para o povo antigo elementos da manifestação de Deus que também é conhecido como Teofania. O Vento e o fogo são símbolos relacionados à vida do profeta, que é tido como fogoso e impetuoso como o vento. Ao se afastar da cidade, do movimento do agito, assim como Jesus Elias sobe solitário na montanha. E lá ele descobre o Senhor numa brisa. Descobre que Deus não se faz presente na agitação e que calado o tumulto o silencio traz a surpresa da presença de Deus.

Carta aos Romanos 9 1-5

Paulo o apostolo dos pagãos e irmão dos Judeus vive um sentimento de pena  e um gesto de solidariedade. Pena porque não aceitaram Jesus como messias, mas solidário ao considerar os privilégios dos Judeus e o máximo privilégio de que Jesus, o Messias descende desta raça. O filho que dá brilho a sua árvore genealógica.

O Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 14. 22-33

A Oração e as Preocupações

No Evangelho, podemos perceber alguns contrastes como Montanha e o Mar a Oração e a Agitação. Jesus na sua caminhada não deixava de orar. E vai orar sozinho. Imagino Eu que não porque ele era egoísta ou porque os discípulos eram dorminhocos, como ouvimos perto da morte de Jesus, mas porque o encontro com Deus é pessoal, exige paciência, fé, tranquilidade. Aqui Jesus nos mostra a importância e a seriedade da oração.

A barca, no entanto, longe da margem por causa do vento começa a ser atormentada. Ela pode simbolizar nós dento das nossas preocupações, desde as mais leves do dia-a-dia a até as mais complicadas, aquelas que tiram o sono.

Mas Jesus fortalecido pela oração, pelo encontro com Deus, vem caminhando sobre as nossas preocupações, em meio as nossas preocupações.

O Pavor o Medo e os Fantasmas

Os discípulos não ficaram apavorados pela tempestade e nos muitas vezes também não ficamos pelas nossas preocupações. Mas assim como os discípulos ficamos APAVORADOS, não com medo, mas APAVORADOS, por vários fantasmas que nós vamos criando dentro da nossa cabeça quando estamos preocupados. Fantasma como a desconfiança, a insegurança, a falta de fé que vão sendo alimentados dentro de nós. Para não alongar quero citar o exemplo daquela doença que nós já acreditamos que vamos morrer, ou daquela situação ruim no trabalho que já achamos que vamos ser demitidos, ou ainda a desconfiança conjugal, ou a falta de fé e esperança sobre a recuperação de um ente querido frente a um problema de doença ou vícios.

E quando nos dedicamos um pouco a nossa oração, quando abrimos mais o nosso coração, ficando mais vulneráveis, percebemos que o fantasma, aquele medo que na verdade é o próprio Jesus se aproximando da gente, é o medo do desconhecido encontro com o mestre que logo diz: Coragem! Sou Eu! Não tenham medo!

Eu Sou: Sou Eu

A frase “Sou Eu” nos lembra de Moisés no encontro com a sarça ardente onde Moisés pergunta quem aquele que o chama e a voz responde: “Eu Sou aquele que Sou” revelando para nós que Deus é Pai e Filho.

A falta de fé do discípulo Pedro e o Amor infinito de Jesus Cristo

Porém Pedro, que é aquele discípulo que mais se parece com a gente, mesmo ouvindo as palavras de Jesus ainda duvida e diz: Se for você manda ir ao seu encontro caminhando sobre as águas.

Como é desaforado esse Pedro não? Como nós somos desaforados não? Colocamos Jesus, Deus a prova. Mesmo naquele momento onde Deus está presente na nossa vida nós ainda duvidamos da sua presença.

Mas o amor de Deus é tão grande para conosco que ele ignora e diz: Vem! Eu te acolho! Eu te aceito! Eu te ajudo a superar isso que você sente! Sua insegurança, sua falta de fé,sua desconfiança!

Mas como esse encontro com Deus exige meditação, paciência, fé, tranquilidade, dedicar tempo, seriedade, a gente acaba voltando a sentir os nossos fantasmas, o vento que atormenta e começamos a afundar.

Pedro não teme porque se afunda, mas se afunda porque teme. E assim como Pedro, nós devemos gritar: Senhor salva-me! E reconhecer como ele que é o braço forte do Senhor que pode nos salvar!

E assim cantar como o salmista: “Mostrai-nos ó Senhor vossa bondade e a vossa salvação nos concedei” NÃO É LINDO ISSO GENTE! Pedro professou sua fé naquele momento, reconhecendo Jesus como Senhor, detentor da salvação, da nossa salvação.

Jesus nos estende a mão, mas repreende também. Como você é fraco na fé, porque duvidaste? Ele nos questiona. Aqui ele quer nos mostrar que nunca devemos duvidas do poder de Deus e que Deus sempre fará o que for de melhor para nós.

Profissão de Fé como fortalecimento e reconhecimento do Senhor no Filho

Logo que Jesus e Pedro subiram na barca o vento acalmou e os que estavam na barca professaram sua é dizendo: Verdadeiramente tu és o Filho de Deus!

Assim também acontece conosco quando deixamos Jesus subir nessa barca da nossa vida, que é a gente. O vento se acalma, MAS NÃO ACABA GENTE! Ela se acalma, ou seja, fica em um ponto onde conseguimos suportar e seguir em frente.

Que neste dia da vocação para a vida em família em especial para os pais, nós possamos vencer o medo, as agitações apoiados em Jesus Cristo, na oração.

Então como bom cristão que somos, assim como os discípulos, devemos professar e fortalecer nossa fé, reconhecendo e dizendo sempre que VERDADEIRAMENTE TU ÉS O FILHO DE DEUS!

Amém!