Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"


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Quem é a grande família de Deus Pai?

Por Robson Cavalcanti

Referência bíblica

“Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os seus discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. 22Os mestres da lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Masquem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”. 31Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. 33Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Introdução

Um ótimo dia para todos vocês! A Paz de Cristo irmãos e irmãs! Me confiaram estar fazendo a reflexão do dia de hoje. E eu confesso que eu fico muito feliz porque faz muito tempo que não o faço, mas me dá medo porque hoje as leituras trazem textos difíceis de serem explicados e pensados em tão pouco tempo. E se eu tentar explicar todos, vocês não vão me aguentar falar por tanto tempo. (risos)

Bom, os textos de hoje vem falar de medo, de vergonha, de pecado, de esperança, de fé, de conflitos, sobretudo da vontade de Deus. É muito difícil falar de todos com profundidade, mas vou me esforçar ao máximo tá ok. Mas, eu creio de devemos focar sempre no evangelho! Porque o Evangelho nos faz discípulos de Jesus Cristo! Nos faz cristãos! No início, lá no capítulo 1, no 1 versículo está escrito assim: “Começo da boa noticia de Jesus Cristo Filho de Deus” Eu creio que o evangelho deve ser sempre boas notícias para nossa vida. E para que seja de fato, eu gosto de começar explicando um pouco o texto.

Bom para a gente começar a entender, vamos lembrar que domingo passado, o evangelho falava do sábado, do que era permitido e o que não era permitido, e encerra curando o homem no dia de sábado lembram? Quem leu a bíblia essa semana, percebeu depois do texto do domingo passado o evangelho falou da cura junto ao lago e da escolha dos Doze Apóstolos. Já o texto de hoje vem na continuidade, no mesmo evangelho. Eu sempre penso que o texto é escrito por algum motivo e sempre me pergunto: porque esse texto foi escrito? O que será que estava acontecendo na época? Porque ele escreveu assim? O que ele quer dizer?

A resistência ao projeto de Deus

Hoje o evangelho começa dizendo que Jesus voltou para casa. Ele está no ambiente familiar, com os familiares, parentes e amigos próximos. Mas veja que coisa, são os próprios parentes que acham que ele estava possuído! O Mestre da lei então, já disse que estava possuído por um demônio, que não é qualquer um, mas o príncipe dos demônios.

O evangelho hoje nos mostra que a resistência ao projeto do Reino de Deus também infiltra na família e entre os amigos próximos que não compreende a boa notícia! Eles procuram parar sua atividade de alguma forma usando até mesmo da força “agarrando-o”. Blasfemam feio dizendo que Jesus é o diabo. Uma acusação gravíssima para desacreditar toda a missão de Jesus. Uma acusação absurda da qual Jesus rebate com grande sabedoria. Primeiro explicando que um Reino dividido, uma família dividida, não viverá. E depois que Satanás não pode expulsar satanás, pois estaria destruído.

Jesus é o enviado de Deus

Ou seja, Ele já provou que é fiel a Deus e venceu Satanás desde a tentação no deserto e nas variadas curas relatadas desde o capítulo 1 deste evangelho. E encerra dizendo que atribuir a Satanás o que é ação de Deus é blasfemar contra o Espírito Santo e quem não aceita estes claros sinais da ação de Deus se fecha a Deus e ao perdão pelo qual se vence Satanás e recusando o perdão não poderá também recebê-lo.

A família de Deus

O texto continua dizendo que “seus irmãos e sua mãe estão lá fora”, ou seja, afastam-no da sua família deixando-a em segundo plano para agredi-lo. Alguém reclama o fato querendo saber quem tem prioridade, talvez até testando Jesus. Mas Jesus decide a questão com autoridade respondendo que: A família é muito importante para Deus, e por isso o Pai que está no céu quer formar uma nova família, definida por quem de fato quer fazer e faz a vontade de Deus. A começar por sua mãe Maria que disse seu precioso Sim para que Deus se encarnasse, se fizesse humano e habitasse entre nós e depois todos os discípulos que decidiram segui-lo.

Lições para a vida

Hoje nós podemos perceber que não é tão diferente. Ainda há nas famílias aqueles que questionam e brigam com seus pais, filhos, parentes e amigos por causa do Reino de Deus. Cabe a nós como discípulos e missionários de Jesus dar o mesmo testemunho do nosso Mestre. E eu quero sugerir pelo menos duas possibilidades de testemunhar esse Jesus Cristo Vivo em nós!

Primeiro, analisar nossa vida e pensar se estou vencendo as tentações, as provações, para tentar fazer a vontade de Deus ou estou mais empenhado em dar desculpas e ficar dizendo que não consegue, que não tem tempo, que não sabe, que não dá, ficando mais parecido com Satanás?

Segundo, se doando ao projeto do Reino de Deus, buscando de alguma forma ser mais próximo da grande família de Deus, como por exemplo: querendo fazer alguma coisa na comunidade de fé, aqui mesmo, desde rezar um terço, fazer uma leitura, ajudar de alguma forma, seja esforço humano e físico limpando, varrendo, arrumando alguma coisa, seja com dinheiro doado, seja participando da vida da Igreja, participando de encontros ou fora da comunidade de fé, levando o evangelho para a família parentes e amigos, os vizinhos, orações aqueles que não conseguem por algum motivo vir na comunidade, ou buscando reaproximar aqueles afastados da igreja por alguma mágoa passada, ou ainda se envolvendo em projetos sociais ajudando os lascados da vida, sendo discípulos missionários pregadores do evangelho no meio em que vivem, na escola, na política, no trabalho, no cotidiano da vida.

Por fim quero finalizar lembrando da primeira leitura que fala do medo e da vergonha do ser humano ao comer do fruto proibido e desobedecer a Deus, querer ser igual a Deus, viver como que acima de Deus como se não precisasse de Deus. Fala também da forma em que nós gostamos de culpar os outros pelas nossas falhas como Adão fez, ou de dar desculpas por termos falhado, como Eva fez. Mas Deus nunca vai perder a Fé na gente e por isso diz que somos capazes de ferir a cabeça da serpente que tenta a gente a não fazer a vontade de Deus e esmagá-la mesmo que ela morda o nosso calcanhar fazendo a gente falhar.

E Paulo diz para não desanimarmos porque estamos sustentados pelo mesmo Espirito de fé que ressuscitou Jesus Cristo! E por isso é abundante as graças de Deus em nossa vida tanto quanto mais pessoas consigamos trazer e fazer crescer a família de Deus para a glória de Deus!  Que a missão assumida vá nos renovando dia após dia, nos nossos atos e palavras, que as dificuldades são momentâneas e pequenas comparado com a graça e a glória de Deus para conosco!

E tudo isso acontece quando escolhemos viver uma vida dedicada a Deus, ao Reino de Deus a missão de Deus mesmo que ainda seja algo invisível aos nossos olhares, mas eterno e com futuro certo!

Depois destas maravilhosas palavras da Bíblia aqui lidas e ouvidas, eu queria encerrar convidando todos vocês a confiar em Deus e gastar um pouco dar sua vida de alguma se entregando a Jesus e renovando sua fé ao se colocar à disposição de Deus e ao seu projeto de coração e Espírito para que enfim possamos nos sentir de verdade, parte da grande família de Deus!

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Por ocasião do 10 domingo do tempo comum, nove de junho de 2018. Ano do Laicato

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No encontro, o amor, no amor o servir

Robson Cavalcanti

Referência bíblica

Lc 1,39-45.

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigin­do-se, apressadamente, a uma ci­dade da Judéia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isa­bel. 41Quando Isabel ouviu a sau­dação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um gran­de grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” 43Como posso merecer que a mãe do meu Se­nhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe pro­meteu”.

Acolhida da palavra

Bom dia meus irmãos e irmãs! É sempre uma alegria partilhar a palavra de Deus com esta comunidade de fé. Hoje as vésperas do natal de Jesus, somos convidados a mergulhar ainda mais nesta maravilhosa benção para que possamos viver verdadeiramente o sentido do natal em nossas vidas.

O evangelho de hoje, nos oferece diversas linhas de raciocínio que podemos interpretar o texto e trazer para nossos dias, que chamamos chaves de leitura. Gostaria de falar ao menos sobre a questão do encontro e do servir ao próximo.

Começando… “Maria prima de Izabel, partiu para a região montanhosa apressadamente”. Sabe-se que essa região montanhosa era mais ou menos 100km de distância e que naquela época não tinha ônibus, nem pau de arara e muito menos metrô. Maria estava grávida, e uma mulher que já ficou grávida sabe que nestas condições nem tudo é fácil de se fazer. No entanto ela foi prontamente ajudar Izabel nos últimos meses de gravidez, acredita-se que Izabel estava no sexto mês. Em outro trecho diz que Maria ficou lá por 3 meses, que significa – o tempo que foi preciso, necessário.

No encontro o amor

A visita de Maria alegra o ambiente e a saudação de Maria enche Izabel do Espírito Santo que exclama. O evangelho nos mostra o encontro de bênçãos entre duas mulheres, que na mentalidade da época eram discriminadas. De um lado Izabel que irá conceber um filho na velhice. Do outro Maria uma jovem que está gravida sem conhecer homem algum.

Maria não se sente melhor por ser mãe do Messias, mas leva consigo a lição de que não veio para ser servida, mas para servir. Lição esta que Jesus leva consigo pela vida toda.

O versículo 45 – bem aventurada aquela que acreditou – nos mostra a fé de Maria em dizer sim ao projeto de Deus para que ele aconteça. Através de Maria Deus veio habitar entre nós na pessoa de Jesus Cristo e nos salvar. Maria é a primeira cristã e a primeira missionária.

No que mais essas coisas podem iluminar nosso dia a dia?

Numa sociedade individualista como a nossa, nós cristãos precisamos valorizar o encontro e o serviço. No encontro há surpresas e alegrias e se pode experimentar o encontro como visita do próprio de Deus e o serviço aos irmãos. Outro dado é a prontidão ao chamado de Deus para o serviço. Nós precisamos ser como Maria, não ficar pensando mas agir. A boa nova de Deus se revela na simplicidade da rotina doméstica:  Duas donas de casa, grávidas, se visitando e se ajudando, pois Izabel já tinha mais experiência, mais vida de barriga. Deus quer que nós descubramos a presença de Deus e seu Reino nestas coisas simples. Maria serviu ao ter que ser servida, mesmo sendo a mãe do messias.

No amor o servir

Por fim, que esse evangelho mostra a importância de vocês mulheres na história da salvação. Uma espera João Batista o último dos profetas e anunciador do messias. E a outra espera o próprio menino Deus. Quantas são as mulheres do nosso tempo portadoras de bênçãos graça e salvação. Esposas, filhas, mães que assumem uma missão e se doam as vezes a vida toda aos pais, filhos e maridos. E vocês mulheres da comunidade, que com seu sim, dedicam mais tempo a comunidade do que seus próprios líderes, levando a comunidade a diante, limpando, lavando, organizando, fazendo acontecer. A vocês o evangelho as exalta e vos abençoa mostrando que estão no caminho certo, fazendo a vontade de Deus.

Que neste domingo possamos sair daqui pensando no evangelho, nas demais leituras e nestas coisas que acabaram de ouvir a fim de que a vontade de Deus aconteça na vida do cotidiano e na história do povo de Deus que somos nós.

Que o Senhor continue nos agraciando, colocando em nosso caminho, essas mulheres cheias do Espírito Santo que fazem a diferença no lar e na Igreja.

Que o Senhor vos abençoe e abençoe nosso Natal, para que ele seja marca de amor na família e a Deus. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo! Amém!

Por ocasião do 4º Domingo do Advento ano C. 20-12-2015,

Comunidade Cristo Ressuscitado.

 


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Feliz Natal de Jesus em 2015 e um prospero 2016!

Dedico esta mensagem do nosso querido profeta de São Felix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, a todos vocês meus queridos!

Sobe a nascer comigo,
diz o poeta Neruda.
Desce a nascer comigo,
diz o Deus de Jesus.
Tem que nascer de novo,
irmãos Nicodemos,
e tem que nascer subindo desde baixo.

De esperança em esperança,
de presépio em presépio,
ainda há Natal.
Desconcertados pelo vento do deserto
que não sabemos donde vem
e para onde vai.
Encharcados no sangue e na cobiça,
proibidos de viver
com dignidade,
somente este Menino nos pode salvar.

De esperança em esperança,
de presépio em presépio,
de Natal em Natal.
Sempre de noite
nascendo de novo,
Nicodemos.

“Desde as periferias existenciais”;
Com a fé de Maria
e os silêncios de José
e todo o Mistério do Menino,
há Natal.

Com os pobres da terra,
confessamos
que Ele nos amou até o extremo
de entregar-nos seu próprio Filho,
feito Deus vindo a menos,
em uma Kenosis total.
E é Natal.
E é Tempo Novo.

E a consigna é
que tudo é Graça,
tudo é Páscoa,
tudo é Reino.

Pedro Casaldáliga (2014)

Fonte: http://palavrasdepoder.com.br/a-poetica-mensagem-de-natal-de-dom-pedro-casaldaliga/


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Conversão e Missão

Robson Cavalcanti

Referência bíblica

Mc 16. 15-18

Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, 15e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! 16Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. 17Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mão sobre os doentes, eles ficarão curados”. Palavra da Salvação.

Introdução

Desde o começo de Janeiro, a liturgia nos trouxe os relatos sobre Jesus Cristo, o nascimento, infância, apresentação no templo, batismo. No domingo passado ouvimos sobre o chamado dos doze. Nas cartas de Paulo, sempre uma palavra para uma comunidade.

Mas hoje a Igreja celebra a conversão do apóstolo Paulo e a Igreja de São Paulo comemora com alegria a festa do seu padroeiro. A liturgia nos leva aos últimos versículos de Marcos para entendermos a missão dos discípulos e dos apóstolos, entre eles Paulo e a primeira leitura vai falar da sua conversão. Nossa cidade comemora hoje 461 anos. O nome São Paulo foi escolhido para nossa cidade porque foi no dia 25 de janeiro a fundação do colégio dos jesuítas, mesmo dia no qual a Igreja Católica celebra a conversão do apóstolo Paulo de Tarso, conforme disse o padre José de Anchieta em carta à Companhia de Jesus.

Onde está a boa nova para nossos dias?

O envio

Jesus envia os apóstolos, aqui chamados de discípulos,     pelo mundo inteiro e a toda Criatura. Isso significa que a boa nova é para todas as pessoas, sem nenhuma distinção, desde a classe social, a etnia, a cor, a religião etc. Assim aconteceu com o Apóstolo Paulo que de Perseguidor passou a ser perseguido por causa de Jesus. E o fez com fé e orgulho. O tom universal do Cristianismo que vivemos é uma Graça de Deus para nossas vidas, ao lembrar das guerras que são travadas por causa da religião. Jesus extrapola o Catolicismo e próprio Cristianismo e se relaciona com todos. Deus é para todos e a salvação também, pois Deus não quer meio mundo salvo, mas ele o quer por inteiro salvo.

Crer

A fé é o ingrediente principal para o Discipulado e para a Missão. Quem não crê no Senhor acabará sendo condenado, não porque o Senhor quer, mas porque alguém longe da graça de Deus, longe da luz do Senhor, é alguém que está nas trevas e que pode facilmente ser influenciado a tomar o caminho do mal.

Paulo ampliou sua fé que passou de judaica para cristã, cedeu ao amor de Jesus que roubou seu coração e o tornou seu apóstolo.

Sinais

E para aqueles que creem o evangelista lista alguns sinais, atitudes que Jesus tinha e que agora gostaria que nós também tivéssemos, entre eles:

Expulsar demônios, falar novas línguas, beber     venenos e sair ileso, ou ainda imposição das mãos.

O que podemos destacar aqui é a benção e a proteção de Deus para conosco assim como foi com Jesus. Para o anúncio da palavra, o testemunho cristão, a vontade de Deus, o Senhor está sempre conosco.

A palavra “Ide” aqui nos chacoalha, nos tira da zona de conforto e nos dá força para enfrentar o mundo como ele é e irradiá-lo com testemunho de Jesus, assim como Paulo fez na sua vida.

Ao descrever sua trajetória, Paulo quer deixar para nós aqui hoje o testemunho da sua conversão. Ele se torna exemplo de discipulado, o que garante seu lugar e número na lista de Apóstolos.

Portanto,

Ide também nós realizar a missão de Jesus Cristo, e modificar as estruturas da nossa cidade, para que ela seja uma terra prometida, um lugar bom para se viver. Vamos nós também enxergar a vontade de Deus e realizá-la invocando o nome Santo do Senhor Jesus

E assim como Ananias disse outrora para apóstolo Paulo: E agora, o que está esperando? Levanta-te recebe o Batismo e Purifica teus pecados. Eu diria: Nós que já somos batizados, todos os domingos recebemos a purificação no ato penitencial e recebemos Jesus Cristo Vivo na comunhão, “E agora o que estamos esperando?”

Vamos realizar a vontade de Deus!

 

A propósito do dia 25 de Janeiro de 2015 – Conversão do Apóstolo Paulo.

Comunidade Cristo Ressuscitado.


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De Frei Betto: FAÇA NOVO O TEU ANO

Do nosso amigo Frei Betto para um 2015 melhor

Leonardo Boff

Nada melhor para esse início de ano de 2015 que promete ser um caminho de espinhos e de abrolhos do que estas palavras sábias e esperançadoras de frei Betto, um dos que melhor escreve sobre espiritualide e sobre engajamento para transformação social a partir dos mais esquecidos e sofredores. Toda sua vida vem marcada por esta opção, em razão da qual está nas origens do programa Fome Zero do governo de Lula-Dilma. Não fez outra coisa que repetir o gesto de Jesus, o de multiplicar os pães e os peixes. Esta iniciativa ficará imorredoura na história de nosso país: Lboff

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 Neste ano-novo, se faça novo, reduza a ansiedade, regue de ternura os sentimentos mais profundos, imprima a seus passos o ritmo das tartarugas e a leveza das garças.


Não se mire nos outros; a inveja mina a autoestima, fomenta o ressentimento e abre, no centro do coração, o buraco…

Ver o post original 469 mais palavras


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Um esperar em movimento

Robson Cavalcanti

Referência bíblica

Mt 25 14-30

“O Reinado de Deus acontecerá como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamando seus empregados, entregou seus bens a eles. A um deu cinco talentos, a outro, dois, e um ao terceiro: a cada qual de acordo com a própria capacidade. Em seguida, viajou para o estrangeiro. O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. Do mesmo modo o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas, aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. Depois de muito tempo, o patrão voltou, e foi ajustar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos, entregou-lhe mais cinco, dizendo: “Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. O patrão disse: “Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria’. Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: “Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão disse: “Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria’. Por fim, chegou  aquele que havia recebido um talento, e disse: “Senhor, eu sei que tu és um homem severo pois colhes onde não plantaste, e recolhes onde não semeaste. Por isso, fiquei com medo, e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. O patrão lhe respondeu: «Empregado mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não plantei, e que recolho onde não semeei. Então você devia ter depositado meu dinheiro no banco, para que, na volta, eu recebesse com juros o que me pertence’. Em seguida o patrão ordenou: “Tirem dele o talento, e dêem ao que tem dez.  Porque, a todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a esse empregado inútil, joguem-no lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes”.

Introdução

Espera subentende ficar parado. Mas esperar a vinda de Jesus, o Reino de Deus ou o Julgamento final deve ser diferente para o Cristão, o Cristão é aquele que se coloca a caminho, peregrino sempre, rumo ao encontro com Jesus Cristo face a face.

Esta passagem bíblica do final do evangelho de Mateus está em forma de parábola. Anuncia o julgamento final, a volta de Jesus Cristo, o fim do mundo e o Reinado de Deus. Faz parte de um conjunto de três estórias. Domingo passado sobre as moças e o noivo, hoje sobre os talentos e domingo próximo sobre o julgamento final.

O que Deus espera de nós?

O Patrão viajante sem dia e hora para voltar

No começo dessa passagem, temos o patrão que viaja para o estrangeiro. Ele confia seus bens a três empregados de acordo com a suas capacidades. Note que o patrão sabe a capacidade de administração de cada um.

Assim como o patrão, Jesus Cristo entregou a nós, discípulos, seus bens: A construção do Reino de Deus, a Vida, a Natureza, o Mundo e tudo que há nele. Confiou a missão de anunciar até os confins da terra e principalmente de amar. Ele nunca dá uma cruz que não podemos carregar, um fardo mais pesado do que podemos suportar, ele conhece nossas capacidades.

Servos bons e fiéis

Dois servos trabalharam seus dons, multiplicou-os. Isso supõe o esforço humano e pessoal de transformar a obra confiada. Os dons se multiplicam na medida que o trabalhamos. E Deus sabe e você sabe ai no seu coração, o que você tem capacidade de exercer por Jesus Cristo. Por exemplo, na Igreja. Tenho certeza que muitos de nós temos total capacidade de realizar diversas coisas que possam ser feitas na Igreja. Deus nos deu esta capacidade. Mas é preciso trabalhá-las. Existem exercícios físicos, muitos o fazem, desde os jovens aos da melhor idade. Mas quantos de nós exercitamos o Espírito. Sim existem exercícios espirituais também.

Servo mau e preguiçoso

Houve então um servo que não trabalhou seu dom. Preferiu culpar o patrão. O chamou de severo, exigente. Ficou com medo. Pedro Casaldáliga, Bispo e Profeta de São feliz do Araguaia, disse certa vez: que “o problema é ter medo do medo”. O medo paralisa, nos deixa inerte e às vezes indiferente. O servo também escondeu o talento. Talento que Deus o abençoou para dar fruto, para trabalhar e multiplicar.

Quantos de nós culpamos Deus pelos acontecimentos na nossa vida? Quantos de nós dizemos que Deus é muito severo e exigente em querem ser cultuado, ao menos 1 vez por semana no domingo e em 3 ou 4 horários de missa. Quantos de nós temos uma ideia de Deus que dá medo? Quantos de nós estamos com nossos talentos enterrados, meus irmãos e irmãs?

Pois bem, estas não são perguntas que eu faço a vocês. São perguntas que o evangelho faz a nós para mexer com a gente. Lembra? O evangelho tem que ser boa nova que mexe com a gente!

Um esperar em movimento

Jesus Cristo quer que esperemos seu Reinado, a sua vinda, seu julgamento final, como se espera um ladrão, vigiando. São Paulo diz em (1Ts 5.1-6) que por estarmos em Cristo, ou pelo menos por precisarmos estar em Cristo, sabemos que o dia do Senhor virá como o ladrão. O fato de sermos filhos da luz, do dia, da Ressurreição, faz com que esse dia não nos surpreenda. Esta espera subentende ficar parado. Mas esperar a vinda de Jesus, o Reino de Deus ou o Julgamento final deve ser diferente para o Cristão. O Cristão é aquele que se coloca a caminho, vai ao encontro, imita Jesus Cristo, peregrino sempre, rumo ao encontro com Jesus Cristo face a face. Esse encontro só se realiza plenamente quando o faz como a mulher em (Pr 31,10-13.19-20.30-31), a esposa forte. E nós igreja somos a noiva, a esposa de Cristo que abre suas mãos aos necessitados e estende as mãos aos pobres e teme o Senhor.  O discípulo de Jesus Cristo não é preguiçoso, inerte e indiferente.

Domingo que vem é o dia nacional dos cristãos leigos, discípulos de Jesus Cristo, nosso dia. Dia da Igreja, pois somos nós uma imensa maioria que formamos a Igreja de Jesus Cristo.

Portanto, escutemos o convite que Jesus faz hoje. Saiamos da inércia, do medo, da espera preguiçosa e vamos esperar o Senhor ocupando nosso lugar na dinâmica, no movimento do reinado de Deus, desenterrando nossos dons que Deus colocou na nossa vida segundo a nossa capacidade e oferecendo a serviço da Igreja e da Sociedade.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Amém!

A propósito do 33º Domingo do Tempo Comum. Comunidade Cristo Ressuscitado, 16 de Novembro de 2014.


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Vocação Pastoral dos Leigos e Leigas

Robson Cavalcanti

Teólogo e Leigo Católico

Neste 4ª Domingo do tempo comum, deste mês dedicado as vocações, Igreja celebra a vocação para os ministérios e serviços na comunidade, com uma principal atenção aos leigos e leigas.

O termo Leigo: do negativo ao positivo.

O Termo leigo sugere muitas questões, pois é facilmente associado ao termo laico que significa não clérigo, laical, laico. Mesmo o dicionário Aurélio versão digital, explica no seu segundo ponto que leigo é aquele “que pertence ao povo cristão como tal e não à hierarquia eclesiástica” e no terceiro ponto leigo é aquele “que é estranho ou alheio a um assunto; desconhecedor. É sabido que na idade média, leigo era de fato o ignorante, o que não sabe de nada, o que não sabe o latim, que era língua oficial religiosa católica. Porém no século XXI temos pessoas altamente qualificadas em diversos seguimentos do campo do trabalho, que nos impede de aceitar esse termo com tanta facilidade.

A chave de interpretação para nós Cristãos é a chave de leitura do termo na perspectiva teológica, ou seja, no ambiente eclesial, da igreja, ele adquire novo sentido após o Vaticano II.

Ao buscar o significado do termo recorrendo às contribuições contidas no Dicionário Crítico de Teologia.[1], encontramos a concepção de dois campos semânticos. Um se refere à concepção moderna, na qual leigo é aquele que é independente de confissões religiosas, referente ao estado, manifestando toda a ausência de referências religiosas no sistema político e educacional. O outro campo semântico está ligado à “estruturação da igreja como sociedade religiosa, referente às pessoas ligadas a atividades comuns dos que são batizados, ao contrário dos clérigos, que além de serem batizados, recebem o sacramento da ordem e orientações para atos de governo, ensino e presidência dos cultos”.[2] É sobre este segundo campo semântico que queremos e precisamos dar atenção.

A palavra Leigo, significa, portanto, aquele que pertence ao povo ou provem do povo. É adjetivo da palavra Laos que quer dizer povo.

“Leigos, portanto, significa aquele que pertence ao povo de Deus, guardador e herdeiro da aliança, povo santo. Quer dizer Igreja em seu sentido primeiro e, por conseguinte, é uma palavra que tanto na linguagem judaica como depois na linguagem cristã, designa propriamente para povo consagrado por oposição aos povos profanos.”[3]

Na mesma linha, no Novo testamento é apresentada uma comunidade, um povo definido por sua relação com Deus ou com Cristo: (Igreja de Deus), ekkles°a tou Cristou (Igreja de Cristo), (povo de Deus), swma Cristou (corpo de Cristo)”. “Aqueles que não eram povo agora são povo de Deus”(1Pd. 2.10), com as qualidades do povo do Antigo Testamento, de “povo sagrado, reino sacerdotal”(Ex 19.6), povo que Deus escolheu e formou para que proclamassem louvores para si.”(Is 43.20-21).[4] Se há diferenças entre sacerdotes e leigos, entre os clérigos e o laicato, estas não se encontram na Igreja do Novo Testamento. A distinção neste período se dá entre um povo consagrado a Deus e um povo ainda no mundo. Um povo alienado pelo pecado e um povo santo que não é do mundo, mas está no mundo, ou seja, um povo eleito, colocado à parte, chamado e consagrado para uma verdadeira atuação profética de testemunhar Cristo Jesus. Este povo é dotado de dons espirituais, carismas dados gratuitamente pelo Espírito Santo Deus em benefício do bem comum. (1Co 12.7). A partir destes carismas, brotam os ministérios (diakon°ai) que são a forma prática de viver estes carismas na perspectiva do serviço, distribuídos conforme Deus quer através do Espírito Santo (1Co 12.11). Também é preciso considerar o fato de que os ministérios são distribuídos em vista do bem comum e não como uma distinção hierárquica.

Podemos encontrar no Novo Testamento várias pessoas que hoje poderíamos ousar chamá-los de Leigos como é o caso da Mãe de João Marcos que cedeu sua habitação para acolher Pedro depois que o Senhor o tirou da prisão (At 12.12-17), Lídia, (At 16.12-15), Áquila e Prisca que desempenharam o ministério de didáscalos (mestres, doutrores), considerados os responsáveis por essa tradição leiga na Igreja Posterior,[5] além de serem amigáveis hospitaleiros (At 18.2-3) e generosos cooperadores de Paulo (Rm 16.3), assim como muitos outros como Tirano (At 19.9), Ninfa (Cl 4.15), Filemon (Fm), Caio (Rm 16.23), etc. Outros ajudaram especificamente Paulo em seu trabalho missionário, como por exemplo, Evódia, Síntique, Clemente e outros colaboradores que trabalharam no Evangelho com Paulo (Fl 4.2-3); Trifena, Trifosa e Pérside, as quais trabalharam muito no Senhor (Rm 16.12); Aristaco, companheiro de prisão, Marcos, Jesus o justo, Eprafas cooperadores no Reino de Deus (Rm 16.10-12); Epafrodito, irmão cooperador, que mesmo a beira da morte por amor a obra de Cristo foi enviado aos Filipenses para suprir a falta do vosso serviço (Fl 2.25-30) e tantos outros.[6]

Portanto, é possível identificar os vários ministérios e serviços que Deus realiza, assumidos pelos cristãos “leigos e leigas.” Estes, a partir da disposição dos carismas recebidos pelo Espírito Santo, como dom de línguas, da profecia (1Co 14), são considerados profetas e doutores (At 13.1) aptos a pregar a palavra (2Tm 4.2) e consolidadores das comunidades (Ef 4.11-12). Estes cristãos, ao envolverem-se nas atividades apostólicas, testemunham o serviço e ministério que são carismas dados pelo Espírito Santo de Deus, manifestados livremente.[7]

É importante destacar que a maior parte das conversões ao cristianismo nos dois primeiros séculos se deu, sobretudo, pela ação dos leigos e leigas e não somente graças aos bispos e sacerdotes.[8] Esta ação se dava pela mediação de cristãos de todas as condições sociais. Ricos ofereciam suas casas para os encontros das comunidades que eram formadas, eram as igrejas domésticas. Na classe popular, aconteciam os gestos de amor, sinceridade e conhecimento mútuo, sobretudo das inquietudes que cada um trazia nos corações, onde Cristo realiza o resgate total da escravidão do pecado, para conferir às pessoas a liberdade de filhos e filhas de Deus[9].

Entre estes cristãos leigos, é possível destacar algumas pessoas que marcaram a história através dos gestos de amor e fidelidade ao Cristianismo em tempos de prevalência da perseguição e clandestinidade. Como exemplo, Tertuliano, Orígenes, Justino, Inácio de Antioquia e os milhares de Mártires, entre eles Santa Luzia. Os mártires, cristãos cuja fé está baseada em uma entrega total e incondicional a Deus revelado em Jesus Cristo, um compromisso levado até as ultimas conseqüências, ou seja, até a morte.

A vocação: Deus pergunta, o ser humano responde.

A palavra “vocação é uma palavra de derivada do verbo latino vocare que significa chamar, tradução do termo vocatione, que quer dizer chamado, chamada, convite, apelo, cuja sua raiz é a palavra vox,vocis isto é voz.”[10] Esta colocação ajuda a esclarecer a confusão que pode ser feita sobre este termo ao relacioná-lo com o sentido de inclinação ou aptidão, pois aptidão e inclinação para fazer algo é na verdade, conseqüência do chamado.

A teologia considera a vocação como algo de Deus, um ato de fé, uma força misteriosa e uma realidade teológica, pois “ninguém seria levado a fazer algo, gostar de alguma coisa, se não fosse atraído pela força misteriosa do chamamento.”[11] Nesta realidade é Deus quem chama a todos e todas à existência para realização do seu plano divino de salvação. Portanto, vocação é algo divino, onde os seres humanos se entendem como vocacionados por Deus para responder seu chamado. “Vós não me escolhestes a mim, eu vos escolhi a vós e vos destinei para irdes dar fruto; e para que vosso fruto permaneça” (Jo 15.16).[12]

Mas para complementar o conceito de vocação, o ser humano precisa dar sua resposta ao chamamento de Deus para que a vocação seja completa. “Deus no seu ato de chamar não descarta a participação do ser humano” que é livre para negar ou para decidir e abraçar o serviço comunitário, como os discípulos que “deixaram tudo e seguiram Jesus” (Lc 5.11).[13] Neste sentido, os talentos, a aptidão para realizar algo, devem ser entendidos como dons que Deus atribui aos seres humanos capacitando-os para responder ao seu chamado. Ou seja, “o Senhor oferece os dons de acordo com o tipo de vocação para qual cada um foi chamado”.[14] É um “apelo de Deus oferecendo a sua graça e procurando suscitar uma resposta”, onde “quem é chamado não perde a liberdade”, mas confirma seu compromisso com a missão de serviço à Igreja e ao mundo. Por isso ela “deve ser vista na perspectiva do serviço e da doação, disponibilidade e entrega”. Muitas vezes é necessário abdicar de valores e contra valores, gostos pessoais, inclinações, para dar uma resposta coerente e eficaz ao chamado de Deus. Para ilustrar, temos o exemplo de pessoas que abraçam o casamento e outras a vida consagrada, celibatária ou casta. Não é uma aptidão que distingue uma da outra, uma escolha entre algo bom ou ruim, mas é a vocação para a qual Deus as chamou, expressando a sua vontade e seu Reino.

A vocação se traduz também na comunhão com a trindade, uma vez que ela surge deste Deus portador do mistério trinitário, do Deus relação, Deus comunhão, Deus Pai, Filho e Espírito Santo, fonte e origem de toda vocação, que no seu infinito amor se relaciona e se comunica com os seres humanos.[15]

Pastoral: O pastoreio do Povo de Deus em Jesus Cristo, o bom Pastor

Dentro do tema da Pastoral, é necessário dizer que o catolicismo utiliza o termo pastoral diferente dos protestantes. Para o catolicismo o termo “refere-se à ação coletiva do Povo de Deus como Igreja, cuja hierarquia principal é o Bispo,” considerando a situação social, a memória da fé, a comunidade eclesial e a ordem do ministério episcopal, fazendo da Igreja, participante na história de acordo com os valores evangélicos. No protestantismo, o termo se refere exclusivamente à função do Pastor. A diferença, portanto, consiste no fato do catolicismo indicar uma comunidade, um conjunto de ministérios, enquanto o protestantismo indica o indivíduo, um carisma particular que acaba reduzindo o conceito à pessoa do pastor, que pode passar a acumular responsabilidades e centralizar vários ministérios na sua pessoa.[16]

É possível entender a pastoral como o conjunto de práticas desenvolvidas por clérigos e leigos, visando possibilitar vida abundante e crescimento da comunhão cristã, sendo “presença-sinal de salvação e difusão dos valores cristãos e evangélicos”, presença da “Igreja dentro do conflito, ao lado dos oprimidos e empobrecidos em vista da sua libertação.”[17]

Por uma vocação pastoral dos leigos e leigas autêntica

Os leigos, vivendo o testemunho do evangelho nos seus afazeres do cotidiano santificam o mundo através da sua vocação derivada de Deus. Ou seja, os cristãos leigos e cristã leigas possuem a vocação de colocar Igreja em relação com a realidade do mundo, fazendo-a cumprir sua missão salvadora no mundo. Isso quer dizer que a vocação dos leigos abre a perspectiva da salvação integral e global, onde Deus salva o mundo, a partir do mundo e não somente a partir de uma Igreja.

A igualdade e a unidade entre clero e leigos, onde é reconhecida que a vocação pastoral dos leigos é tão importante quanto à vocação sacerdotal, possibilitam desfazer qualquer abuso de poder e autoridade de ambas as partes, visto que uma é complementar a outra.

A vocação pastoral dos leigos e leigas também abrange sua atuação dentro e fora da igreja, onde de um lado os cristãos leigos são santificadores do mundo, protagonistas da evangelização e da missão e principais testemunhas do Reino de Deus, ao mesmo tempo em que estão orientados para os serviços internos da comunidade eclesial, nos diversos ministérios e pastorais da Igreja Católica. Neste sentido, é destacada a participação dos leigos na vida pública, nos campos: político, econômico e social, como interlocutores entre a Igreja e a sociedade, opostos a injustiça, baseados na ética solidária e detentores das virtudes da vida social. Com relação à atuação dos leigos voltado para as funções internas da Igreja Católica Romana, é possível entender que as Comunidades Eclesiais de Base são indispensáveis para a participação dos leigos na vida comunitária e na missão evangelizadora, pois nelas os leigos e leigas tem condições de vivenciar experiências concretas de apoio mutuo e contribuir em novos ministérios e serviços, expressão da dimensão carismática da Igreja que se renova através do Espírito Santo.

[1]     LACOSTE, Jean-Yes (dir.). Dicionário Crítico de teologia. Tradução: Paulo Meneses. et al. São Paulo: Paulinas: Edições Loyola, 2004. p. 1967.

[2]     BOUGEOIS. “Leigo/ Laicato” In: LACOSTE, 2004. op. cit., p. 1012-1016.

[3]     BOUGEOIS. “Leigo/ Laicato” In: LACOSTE, 2004. op. cit., p. 1012-1016.

[4]     ALMEIDA, 2006. op. cit., p. 20.

[5]     ALMEIDA, 2006. op. cit., p. 27.

[6]     ALMEIDA, 2006. op. cit., p. 22 e 23.

[7]     Ibidem, p. 26.

[8]     Ibidem, p. 31.

[9]     Ibidem, p. 31 e 32 passim.

[10]    OLIVEIRA, 1999. p. 19.

[11]    OLIVEIRA, 1999. p. 20.

[12]    Ibidem, p. 21.

[13]    Ibidem, p. 22.

[14]    Idem.

[15]    OLIVEIRA, 1999. p. 26-32.

[16]    SANTA ANA, 1985. p. 15 e 16.

[17]    LIBÂNIO, 1982. p. 119 e 120.