Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"

Na expectativa de Pentecostes…Por Pe. Reginaldo Veloso

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Que possamos refletir as palavras deste homem,  pastor e grande poeta, do qual quase todos os domingos animamos as celebrações com suas canções. Que o Espírito Santo esteja contigo!

Robson Cavalcanti

Leigo, Católico, Teólogo e assessor da comissão de teologia e formação do CLASP

Eis o Texto:

Entre outras virtudes, as celebrações do Ano Litúrgico, através da dinâmica do “memorial”, nos propiciam a vivência sempre atualizada do Mistério da Salvação, retomando, as facetas peculiares de cada Tempo, de cada Festa, e nos levando a experimentar a força da Palavra criadora e do Espírito renovador.

Ao aproximar-se, então, mais uma vez a Festa de Pentecostes, os Domingos do tempo Pascal, fazem ecoar as promessas feitas por Jesus, especialmente no Evangelho de João, do envio do Espírito da Verdade, o Advogado, o Confortador, o Consolador. Hoje, poderíamos, ao gosto da nomenclatura atual, chamá-lo também de “Assessor”!

Que venha o Espírito prometido! Aliás, sua irrupção na História, muitas vezes, se dá da maneira mais inesperada. Temos exemplos recentes e ofuscantes: a renúncia de Bento XVI e, sobretudo, a eleição de Francisco, Bispo de Roma.

E como precisamos de que esta irrupção transformadora chegue a atingir, de maneira ampla e profunda todo o Corpo da Igreja, infectado, ao longo das últimas décadas pela retomada do mais decadente clericalismo, com a sistemática nomeação de bispos medíocres e a consequente ordenação de uma legião de presbíteros, “dotados”, ao mesmo tempo, de inescamoteável incompetência e exacerbada consciência de “poder”, pernicioso binômio, que normalmente leva à prepotência, no trato de pessoas e na gestão da vida eclesial, ao mercenarismo, ao aburguesamento e à mercantilização da vida religiosa.

O resultado lastimoso de tudo isso é a imbecilização do Povo de Deus. Assistimos atônitos ao “florescimento” de um tipo de experiência religiosa que se propaga com a velocidade de uma praga e se consubstancia da prática das “devoções” mais esdrúxulas, que vão, da venda de água benta engarrafada e rotulada, a “missas de cura”, passando por um variado leque de “terços” e “escapulários” e “bênçãos” e “correntes” e “novenas” e “adorações” e “louvores”, bem como os ruidosos e agitados megashows, com direito a todas as bizarrices possíveis, com ampla cobertura do rádio e da televisão. Aliás, há canais de TV e rádios que se dedicam exclusivamente a esse tipo de manipulação de pessoas, o mais pernicioso “produto” da onda consumista do sistema capitalista, que descobriu na “religião” seu mais novo e ubertoso filão.

É triste e preocupante assistir à banalização da Eucaristia, expressão mais significativa da vida eclesial, à mediocridade ridícula das homilias, às aberrações com relação ao culto dos Santos e Santas, sobretudo da Mãe do Senhor, em suma, à alienação religiosa, que vem esvaziando a vida de tantos cristãos, entre outras, da dimensão de Cidadania, de compromisso sócio-político, num tempo de tanta urgência.

Enquanto isso, por onde a gente passa, escutam-se os lamentos e reclamos de gente que vem das CEBs, dos Movimentos de Evangelização de cunho libertador e das Pastorais Sociais, que já não encontram arrimo nas paróquias e dioceses e vivem uma lamentável experiência de orfandade. Praticamente entregues à própria sorte, somente à custa de muito desprendimento, de heroica generosidade e espírito de militância, conseguem perseverar, em clima de resistência, num caminho evangélico de fé, esperança e fraterna solidariedade.

É, em nome desse atual “Resto de Israel”, em nome do resgate da cidadania eclesial e social, que urge articular todas as forças vivas do que resta da Igreja renascida do Concílio Vaticano II e de Medellín, em nosso país e em nosso Continente, aproveitando, por exemplo, o ensejo das comemorações do Cinquentenário conciliar, no sentido de ver “A Alegria do Evangelho”, tão oportuna e inspiradamente anunciada por papa Francisco ir, pouco a pouco, desabrochando de um verdadeiro esforço de retomada da “primavera” que o Santo João XXIII, mais de 50 anos atrás, desencadeou qual “novo Pentecostes”.

Neste sentido, façamos a próxima Novena de Pentecostes, abrindo os olhos aos “sinais dos tempos”, e os corações, aos desafios acolhidos à luz da fé bíblica como apelos de Deus, em busca de respostas criativas, profundas, eficazes e ecumênicas, na força do Espírito Santo. Ver, julgar e agir, eis o que importa, mais que nunca.

[Reginaldo Veloso é presbítero das CEBs e assistente do Movimento de Trabalhadores Cristãos – MTC – Região Nordeste 2]

Fonte: http://www.adital.com.br/?n=cq65

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Autor: Robson Cavalcanti

Sou um Cristão, Leigo, Teólogo, muito bem casado com uma esposa maravilhosa e empreendedora magnifica que é a Érika. Gosto de humor e da reflexão teológica, principalmente a produzida na América Latina, mais conhecida como Teologia da Libertação. Gosto de buscar conhecimento, gosto de ousar, gosto de arriscar mesmo que as vezes possa errar, pois afinal, somos seres em continua construção, Deus ainda não me terminou!

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