Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"

O pastor e as Ovelhas

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Republico aqui o artigo do nosso querido amigo e irmão de fé Edson Gonçalves P. Oliveira Silva, presidente do CLASP, nos solidarizando e compactuando com as suas colocações. Confiantes no Cristo Ressuscitado que vence a morte e todo pecado, rezamos para que nossos pastores busquem estar mais proximos das suas ovelhas, tenham cheiro de ovelhas, pois as ovelhas conhecem seu pastor, ele chama e elas o atendem. Que eles deixem de ter cheiro de escrivaninha, de mofo, pois a Igreja é mãe e como representantes da Igreja que é mãe, não devem se corresponder por carta, recados. Mas frente a frente, com misericórdia, ensinando e não castigando ou reprimindo. Que eles se abram ao frescor que o Espírito Santo trouxe a Igreja nestes  dias!

Robson Cavalcanti

Teólogo e Leigo Católico

Eis o artigo

Esta reflexão parte dos ensinamentos de Jesus Cristo quando quer falar do cuidado, proteção, carinho, atenção, preocupação com aqueles que Deus confiou como sendo seus filhos e filhas. Todos nós devemos ser pastores. Todos nós somos ovelhas. O quadro é facilmente compreendido principalmente por aqueles que vivem em zona rural, em lugares periféricos, onde a conturbada urbanidade não substitui as coisas simples pelas coisas da modernidade. Utilizam-se os termos “ovelha” e “pastor” para aqueles que estão vivendo uma realidade de fé, portanto numa comunidade religiosa, em especial a cristã.

Todos nós somos ovelhas sim! Na apresentação figurativa somos todos ovelhas. Ovelha é toda e qualquer pessoa que se considera filha de Deus. Nesta hora, de nada vale os títulos, as honrarias, as diferenças de cor, de classe social, gênero, diplomas, cargos, status de tudo quanto é tipo!

Que coisa maravilhosa é ser ovelha no grande rebanho do grande criador!

Todos nós devemos ser pastores. Aqueles que têm por obrigações cuidar do rebanho, garantir a proteção, segurança, alimento, vida! Assumir esta incumbência não é motivo de orgulho ou de diferenciação, pelo contrário é responsabilidade com a vida do outro!

Este quadro figurativo usado por Jesus quer apenas exemplificar em forma de parábola a relação que os lideres religiosos devem ter com seus fiéis. Uma relação de proximidade, de cuidado e amor! Interessante que recentemente o papa Francisco usou a expressão de que os “pastores com cheiro de ovelhas”.

Na palavra do papa Francisco constata que há uma preocupação pastoral com o distanciamento entre os “pastores” (papa, cardeais, bispos, padres e diáconos) e suas “ovelhas”. Distanciamento por conta de práticas ultrapassadas, como por exemplo, autoridade restrita ao poder, o exercício ministerial como meio para promoção, a coordenação centralizada, a hierarquização das relações, entre outras. O papa preocupa-se não com uma hipótese e sim com uma realidade muito presente e mais próxima do que podemos imaginar.

Os fiéis leigos também podem comportar-se de forma a não ter “cheiro de ovelhas”, pois repetem e seguem os modelos de seus pastores. Vivem na pseudo segurança e confiança de que a hierarquia o levará por caminhos seguros. Por isso, cuidado, somos todos seres limitados, somos seres humanos.

Agora vamos para a realidade concreta: nos últimos dias padres e fiéis leigos (corresponsáveis na condução pastoral) de algumas paróquias da região episcopal Ipiranga, receberam a notícia de transferências de párocos nestes próximos meses.

Alguns padres receberam oficialmente a notícia nos dias que antecediam a celebração de aniversário de suas ordenações; outros ficaram sabendo na sacristia da Catedral da Sé; outros por meio de fiéis que leram a notícia pelas redes sociais. Estes párocos que foram surpreendidos não participaram da reunião da comissão presbiteral. Lamentável notar que os padres que decidiram a vida dos demais foram os mais beneficiados e outros enganados com a promessa de uma paróquia melhor (o que não se concretizou).

Os leigos que assumem sua vocação na corresponsabilidade pastoral das respectivas comunidades estão pouco a pouco sendo informados de tal decisão. São fiéis leigos que atuam em conselhos de pastoral paroquial e ou na administração paroquial. Todos extremamente surpreendidos e entristecidos com tal notícia em pleno tempo de confraternização do Natal e do Ano Novo.

Na esperança de conhecer os motivos reais das transferências e apresentar a situação de cada comunidade um grupo de leigos e leigas, representantes dos CPPs de alguns paróquias, enviaram por meio do CLASP – Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo uma solicitação de audiência e reiteraram o pedido com cópia para a Nunciatura Apostólica. Até o presente momento nenhuma resposta.

Do pastor Cardeal Dom Odilo apenas o silêncio!

As ovelhas, também pastores e pastoras nas comunidades, após ouvir os reclamos dos demais fiéis chocados com a notícia da transferência do pároco, estão recolhendo assinaturas que serão direcionadas ao Arcebispo de São Paulo Dom Odilo Pedro Scherer e encaminhadas com cópias para a presidência da CNBB, Nunciatura Apostólica e ao Papa Francisco.

Sabemos que as transferências fazem parte da vida eclesial e é do direito do bispo. Porém o momento de Igreja em que vivemos anseia-se por novas práticas pastorais e de governo, como por exemplo, ouvir as comunidades, proporcionar transferências com tranquilidade onde padres e fiéis vão se conhecendo aos poucos, até que se concretize a transferência plena. Os padres transferidos poderiam celebrar algumas missas na futura paróquia, participar de algumas reuniões dos CPPs, conviver e aproximar-se de forma evangélica.

Por fim, o abaixo assinado já está na rua! No facebook criaram um movimento “Quero Nosso Pároco”! Já existe um blog também com a mesma temática! Mensagens são registradas no facebook do Cardeal Dom Odilo … o movimento está apenas começando!

O mais triste é que neste Natal inúmeras pessoas estão se sentido como ovelhas sem pastor! Perguntam-se: esta é a Igreja a qual pertencemos? Esta é a comunidade que quero para os meus filhos? Somos Igreja ou meramente objetos da ação pastoral? Vale de alguma coisa participar de uma comunidade de fé? Apenas uma certeza: nossa fé está em Jesus Cristo!

Não podemos continuar com estruturas e relações medievais num tempo em que se espera de verdade a conversão estrutural e pastoral, a renovação das paróquias, paróquias como comunidade de comunidades, ministérios a serviço do rebanho, um novo modelo ministerial que inclua e não exclua a grande parte do povo de Deus, homens e mulheres que vivem plenamente a sua condição régio-pastoral, sacerdotal e profética.

Edson Gonçalves P. Oliveira Silva, presidente do CLASP (25/12/2013)

Fonte:http://www.claspnet.org.br/site/?p=470

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Autor: Robson Cavalcanti

Sou um Cristão, Leigo, Teólogo, muito bem casado com uma esposa maravilhosa e empreendedora magnifica que é a Érika. Gosto de humor e da reflexão teológica, principalmente a produzida na América Latina, mais conhecida como Teologia da Libertação. Gosto de buscar conhecimento, gosto de ousar, gosto de arriscar mesmo que as vezes possa errar, pois afinal, somos seres em continua construção, Deus ainda não me terminou!

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