Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"

Sobre a transmissão da Fé

2 Comentários

Robson Cavalcanti

Teólogo e leigo Católico

Hoje domingo, 24-11-2013 se dá o encerramento solene do Ano da Fé.

Ao longo deste ano várias fontes midiáticas católicas falaram sobre isso. O Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo, elaborou uma carta pastoral sobre este assunto. Contudo, tenho a suspeita de que nas muitas comunidades eclesiais de base, muito pouco ou nada se falou a respeito. Eu digo isso a partir da pequena comunidade da qual participo.

Neste caso vejo um problema, porém não no fato de não ter feito uma “propaganda” destes subsídios, ou feito sua distribuição. No meu ver, o problema maior está no fato de que as pequenas comunidades católicas não estão garantindo ou não estão sendo ajudadas a garantir seu futuro a partir das novas gerações, uma vez que se a fé destas novas gerações não é irrigada pela consciência de fé dos mais velhos, não sendo possível esperar que elas tenham ou professem no futuro uma fé cristã e católica, ou seja, aqui temos uma principal barreira para a transmissão da fé.

É evidente que falta apoio, incentivo e muita formação para o povo que se reúne nessas comunidades. Os padres, diáconos, seminaristas, ou seja, os clérigos ou futuros clérigos tem faltado muito nesta parte. As formações promovidas a nível regional ou arquidiocesano dificultam este processo de ensino e aprendizagem, pois o povo não tem disponibilidade seja financeira ou de tempo para ir até os locais de formação, as formações não tem um processo contínuo e quando tem o intervalo de tempo é muito grande.

Particularmente na comunidade na qual participo o Pároco não tem feito mais do que celebrar a missa, cumprimentar as pessoas. Faz meses que as lideranças e o pároco não se reúnem para compartilhar as dores e as esperanças. Como formar novas lideranças quando não estamos sustentando a atual? Uma comunidade necessita de organização e o conselho seria o meio mais eficaz neste caso. Contudo, sem reuniões periódicas do conselho, o diagnóstico é uma comunidade esteticamente bonita e organicamente desmantelada.

As crianças e jovens são cada vez mais encantados por outras atividades aos sábados e domingos. A missa não é mais um lugar referencial para transmissão da fé para esta geração, uma vez que na paróquia temos mais pessoas adultas ou idosas do que propriamente de crianças e jovens. A linguagem em muitos casos e lugares também é um obstáculo a ser transpassado, visto que nem sempre os padres e as lideranças comunitárias conseguem utilizar e transmitir uma mensagem com uma linguagem compatível para lidar com essa geração nova.

Contudo, a Igreja Católica na sua totalidade no mundo é convocada a pensar nestas questões. Não é a toa que teremos um sínodo extraordinário sobre a família em 2014. A família, primeira comunidade, infelizmente não consegue mais ser um núcleo onde tudo converge e tudo se aceita, não consegue ser mais relevante e cada vez menos, temos nas nossas celebrações família completas participando. As crianças e jovens não tem mais a instrução e o amparo da família em questões da fé. Temos cada dia mais crianças e jovens desprovidos de formação básica como a oração do Pai Nosso, Ave Maria e pouco sabe sobre Jesus.

A partir disso, acredito ser cabível e oportuno aos padres, pastores destas pequenas comunidades, e também aos leigos e leigas inseridos nas mesmas, refletir sobre nosso papel no processo de transmissão da fé. Será que estamos transmitindo eficazmente a fé para as novas gerações? O que está sendo plantado hoje para colher no futuro? O que esperar do Cristianismo do futuro? Um cristianismo somente evangélico ou protestante? Um cristianismo sem Cristo?

Será que já não é a hora de ouvir o futuro da Igreja para que ela seja e exista no futuro?

São algumas questões iniciais para pensar.

A Igreja de Roma na voz do Papa nos diz: A hora e tempo já chegaram faz tempo!

Esta consulta pública mostra que a Igreja deve ouvir todos. No entanto, corre-se o risco desta discussão ficar somente entre os clérigos.

Penso que enquanto a orientação vier somente de cima pra baixo de um grupo de pessoas que tem idade acima de 29 anos e que não ouve os mais novos de 30 nada ou quase nada mudará. Pois é justamente a criançada e a juventude que será o futuro da Igreja.

Por isso, espero que esta consulta sobre a família atinja todos os fiéis da Igreja Católica, chegue a todas as bases, a todas as capelas e pequenas comunidades e, sobretudo na comunidade que participo.

A transmissão só começa quando se dá o primeiro passo. E a Fé somente quando o anúncio e o testemunho chegam aos ouvidos e ao coração do povo.

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Autor: Robson Cavalcanti

Sou um Cristão, Leigo, Teólogo, muito bem casado com uma esposa maravilhosa e empreendedora magnifica que é a Érika. Gosto de humor e da reflexão teológica, principalmente a produzida na América Latina, mais conhecida como Teologia da Libertação. Gosto de buscar conhecimento, gosto de ousar, gosto de arriscar mesmo que as vezes possa errar, pois afinal, somos seres em continua construção, Deus ainda não me terminou!

2 pensamentos sobre “Sobre a transmissão da Fé

  1. Li e gostei do seu texto. Que Deus ilumine sempre seus caminhos!

  2. Obrigado Izabel! Amém! Obrigado pela sintonia nas reflexões! Um abraço! Fica com Deus!

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