Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"


Deixe um comentário

“A alegria do Evangelho”: publicada a Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual

Que esta exortação apostólica possa alimentar nosso perigrinar e orientar nosso serviço missionário em prol do Reino de Deus, nos passos de Cristo Jesus.
 
Robson Cavalcanti
Teólogo e Leigo Católico
 
“A alegria do Evangelho”: publicada a Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo actual
 

2013-11-26 Rádio Vaticana

“A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”: assim inicia a Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” com a qual o Papa Francisco desenvolve o tema do anúncio do Evangelho no mundo de hoje, recolhendo por outro lado a contribuição dos trabalhos do Sínodo que se realizou no Vaticano de 7 a 28 de Outubro de 2012, com o tema “A nova evangelização para a transmissão da fé”. “Desejo dirigir-me aos fiéis cristãos – escreve o Papa – para os convidar a uma nova etapa de evangelização marcada por esta alegria e indicar direcções para o caminho da Igreja nos próximos anos” (1).

O Papa convida a “recuperar a frescura original do Evangelho”, encontrando “novas formas” e “métodos criativos”, sem deixarmos enredar Jesus nos nossos “esquemas monótonos” (11). Precisamos de uma “uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão” (25). Requer-se uma “reforma das estruturas” eclesiais para que “todas se tornem mais missionárias” (27) . O Pontífice pensa também numa “conversão do papado”, para que seja “mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar e às necessidades actuais da evangelização”. A esperança de que as Conferências Episcopais pudessem dar um contributo para que “o sentido de colegialidade” se realizasse “concretamente” – afirma o Papa – “não se realizou plenamente” (32). E’ necessária uma “saudável descentralização” (16). Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja “não directamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns dos quais profundamente enraizados ao longo da história” (43) .
Sinal de acolhimento de Deus é “ter por todo o lado igrejas com as portas abertas” para que os que vivem uma situação de procura não encontrem “a frieza de uma porta fechada”. “Nem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo”. O Papa Francisco reafirma preferir uma Igreja “ferida e suja por ter saído pelas estradas, em vez de uma Igreja… preocupada em ser o centro e que acaba por ficar prisioneira num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se algo nos deve santamente perturbar … é que muitos dos nossos irmãos vivem “sem a amizade de Jesus” (49).

O Papa aponta as “tentações dos agentes da pastoral”: o individualismo, a crise de identidade, o declínio no fervor (78). “A maior ameaça” é “o pragmatismo incolor da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede na faixa normal, quando na realidade a fé se vai desgastando” (83). Exorta a não se deixar levar por um “pessimismo estéril ” (84 ) e a sermos sinais de esperança (86) aplicando a “revolução da ternura” (88).
O Papa lança um apelo às comunidades eclesiais para não caírem em invejas e ciúmes: “dentro do povo de Deus e nas diversas comunidades, quantas guerras!” (98). “A quem queremos nós evangelizar com estes comportamentos?” (100). Sublinha a necessidade de fazer crescer a responsabilidade dos leigos, mantidos “à margem nas decisões” por um “excessivo clericalismo” (102). Afirma que “ainda há necessidade de se ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva na Igreja”, em particular “nos diferentes lugares onde são tomadas as decisões importantes” (103). “As reivindicações dos direitos legítimos das mulheres … não se podem sobrevoar superficialmente” (104). Os jovens devem ter “um maior protagonismo” (106). (…)

Abordando o tema da inculturação, o Papa lembra que “o cristianismo não dispõe de um único modelo cultural” e que o rosto da Igreja é “multiforme” (116). “Não podemos esperar que todos os povos … para expressar a fé cristã, tenham de imitar as modalidades adoptadas pelos povos europeus num determinado momento da história” (118). O Papa reitera “a força evangelizadora da piedade popular” (122) e incentiva a pesquisa dos teólogos.
O Papa detém-se depois, “com uma certa meticulosidade, na homilia”, porque “são muitas as reclamações em relação a este importante ministério e não podemos fechar os ouvidos” (135). A homilia “deve ser breve e evitar de parecer uma conferência ou uma aula ” (138), deve ser capaz de dizer “palavras que façam arder os corações”, evitando uma “pregação puramente moralista ou para endoutrinar” (142). Sublinha a importância da preparação.” (…) O próprio anúncio do Evangelho deve ter características positivas: “proximidade, abertura ao diálogo, paciência, acolhimento cordial que não condena” (165).
Falando dos desafios do mundo contemporâneo, o Papa denuncia o actual sistema económico, que “é injusto pela raiz” (59). “Esta economia mata” porque prevalece a “lei do mais forte”. A actual cultura do “descartável” criou “algo de novo”: “os excluídos não são ‘explorados’, mas ‘lixo’, ‘sobras'” (53). Vivemos uma “nova tirania invisível, por vezes virtual” de um “mercado divinizado”, onde reinam a “especulação financeira”, “corrupção ramificada”, “evasão fiscal egoísta” (56). Denuncia os “ataques à liberdade religiosa” e as “novas situações de perseguição dos cristãos … Em muitos lugares trata-se pelo contrário de uma difusa indiferença relativista” (61). A família – continua o Papa – “atravessa uma crise cultural profunda.

O Papa reafirma “a íntima conexão entre evangelização e promoção humana” (178 ) e o direito dos Pastores a “emitir opiniões sobre tudo o que se relaciona com a vida das pessoas” (182). “Ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião à secreta intimidade das pessoas, sem qualquer influência na vida social”. “A política, tanto denunciada” – diz ele – “é uma das formas mais preciosas de caridade”. “Rezo ao Senhor para que nos dê mais políticos que tenham verdadeiramente a peito … a vida dos pobres!” Em seguida, um aviso: “qualquer comunidade dentro da Igreja” que se esquecer dos pobres corre “o risco de dissolução” (207) .
O Papa convida a cuidar dos mais fracos: “os sem-tecto, os dependentes de drogas, os refugiados, os povos indígenas, os idosos cada vez mais sós e abandonados” e os migrantes, em relação aos quais o Papa exorta os Países “a uma abertura generosa” (210 ). “Entre estes fracos que a Igreja quer cuidar” estão “as crianças em gestação, que são as mais indefesas e inocentes de todos, às quais hoje se quer negar a dignidade humana” (213) . “Não se deve esperar que a Igreja mude a sua posição sobre esta questão … Não é progressista fingir resolver os problemas eliminando uma vida humana” (214). Neste contexto, um apelo ao respeito de toda a criação: “somos chamados a cuidar da fragilidade das pessoas e do mundo em que vivemos” ( 216) .
Quanto ao tema da paz, o Papa afirma que é “necessária uma voz profética” quando se quer implementar uma falsa reconciliação “que mantém calados” os pobres, enquanto alguns “não querem renunciar aos seus privilégios” (218). Para a construção de uma sociedade “em paz, justiça e fraternidade” indica quatro princípios: “trabalhar a longo prazo, sem a obsessão dos resultados imediatos”; “operar para que os opostos atinjam “uma unidade multifacetada que gera nova vida”; “evitar reduzir a política e a fé à retórica; colocar em conjunto globalização e localização.

“A evangelização – prossegue o Papa – também implica um caminho de diálogo”, que abre a Igreja para colaborar com todas as realidades políticas, sociais, religiosas e culturais (238). O ecumenismo é “uma via imprescindível da evangelização”. Importante o enriquecimento recíproco: “quantas coisas podemos aprender uns dos outros!”. Por exemplo, “no diálogo com os irmãos ortodoxos, nós os católicos temos a possibilidade de aprender alguma coisa mais sobre o sentido da colegialidade episcopal e a sua experiência de sinodalidade” (246). “O diálogo e a amizade com os filhos de Israel fazem parte da vida dos discípulos de Jesus” (248). “O diálogo inter-religioso”, que deve ser conduzido “com uma identidade clara e alegre”, é “condição necessária para a paz no mundo” e não obscurece a evangelização (250-251). “Diante de episódios de fundamentalismo violento”, a Exortação Apostólica convida a “evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma adequada interpretação do Alcorão se opõem a toda a violência” (253). Contra a tentativa de privatizar as religiões em alguns contextos, o Papa afirma que “o respeito devido às minorias de agnósticos ou não-crentes não se deve impor de forma arbitrária, que silencie as convicções das maiorias de crentes ou ignore a riqueza das tradições religiosas” (255). Reafirma, assim, a importância do diálogo e da aliança entre crentes e não-crentes (257) .
O último capítulo é dedicado aos “evangelizadores com o Espírito”, aqueles “que se abrem sem medo à acção do Espírito Santo”, que “infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia, em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo em contracorrente” (259). Trata-se de “evangelizadores que rezam e trabalham” (262), na certeza de que “a missão é uma paixão por Jesus mas, ao mesmo tempo, uma paixão pelo seu povo” (268): “Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros” (270). “Na nossa relação com o mundo – esclarece o Papa – somos convidados a dar a razão da nossa esperança, mas não como inimigos que apontam o dedo e condenam” (271). “Pode ser missionário – acrescenta ele – apenas quem busca o bem do próximo, quem deseja a felicidade dos outros” (272): “se eu conseguir ajudar pelo menos uma única pessoa a viver melhor, isto já é suficiente para justificar o dom da minha vida” (274).

Leia na integra a exortação no link:


Deixe um comentário

As 38 perguntas da Igreja sobre a família.

Robson Cavalcanti

Teólogo e Leigo Católico

A Igreja Católica lança um questionário de 38 perguntas sobre a família, que é parte das contribuições para o Sínodo dos Bispos em Roma em 2014 e 2015. O Sínodo dos Bispos pode ser definido como uma assembleia dos Bispos Católicos convocada pelo Papa, como um instrumento para “consulta e colaboração”, no governo da Igreja universal, na busca comum de soluções pastorais válidas universalmente. O Papa, por sua vez, nomeia cardeais, bispos, religiosos, reitores, líderes de movimentos e associações que participarão do Sínodo como padres sinodais e especialistas.

A Igreja quer ouvir a todos, sobretudo aqueles que estão afastados. Percebemos isso pelas perguntas abaixo. Somos convidados a participar ativamente desta consulta respondendo individual ou comunitariamente estas questões propostas. Este método novo permite que todos se sintam parte deste processo, opinando, contribuindo, ainda que o tempo para resposta seja breve e que talvez pouca gente tenha disponibilidade de responder.

Abaixo segue o documento preparatório e logo em seguida o questionário.

O endereço para envio das respostas está no final do texto. Porém podemos responder de forma online e rápida também no site de Portugal, pois não sei se no Brasil já existe algo desta forma. Segue o link abaixo:

http://familia.patriarcado-lisboa.pt/sinodofamilia

Não deixem de participar Igreja povo de Deus!

O Vaticano enviou às dioceses do mundo o documento preparatório da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família, com o título “Os desafios da família no contexto da evangelização“, convocada pelo Papa Francisco para outubro de 2014. As respostas devem ser devolvidas até o final de janeiro do próximo ano. Veja no final do documento sugestões para onde enviar as respostas.

Eis o documento com as perguntas, em português.

“Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”

I – O Sínodo: família e evangelização

A missão de pregar o Evangelho a cada criatura foi confiada diretamente pelo Senhor aos seus discípulos, e dela a Igreja é portadora na história. Na época em que vivemos, a evidente crise social e espiritual torna-se um desafio pastoral, que interpela a missão evangelizadora da Igreja para a família, núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial.

Propor o Evangelho sobre a família neste contexto é mais urgente e necessário do que nunca. A importância deste tema sobressai do fato que o Santo Padre decidiu estabelecer para o Sínodo dos Bispos um itinerário de trabalho em duas etapas: a primeira, a Assembleia Geral Extraordinária de 2014, destinada a especificar o “status quaestionis” e a recolher testemunhos e propostas dos Bispos para anunciar e viver de maneira fidedigna o Evangelho para a família; a segunda, a Assembleia Geral Ordinária de 2015, em ordem a procurar linhas de ação para a pastoral da pessoa humana e da família.

Hoje se perfilam problemáticas até a poucos anos inéditas, desde a difusão dos casais de fato, que não acedem ao matrimônio e às vezes excluem esta própria ideia, até às uniões entre pessoas do mesmo sexo, às quais não raro é permitida a adoção de filhos. Entre as numerosas novas situações que exigem a atenção e o compromisso pastoral da Igreja, será suficiente recordar: os matrimônios mistos ou inter-religiosos; a família monoparental; a poligamia; os matrimônios combinados, com a consequente problemática do dote, por vezes entendido como preço de compra da mulher; o sistema das castas; a cultura do não-comprometimento e da presumível instabilidade do vínculo; as formas de feminismo hostis à Igreja; os fenômenos migratórios e reformulação da própria ideia de família; o pluralismo relativista na noção de matrimônio; a influência dos meios de comunicação sobre a cultura popular na compreensão do matrimônio e da vida familiar; as tendências de pensamento subjacentes a propostas legislativas que desvalorizam a permanência e a fidelidade do pacto matrimonial; o difundir-se do fenômeno das mães de substituição (“barriga de aluguel”); e as novas interpretações dos direitos humanos. Mas, sobretudo no âmbito mais estritamente eclesial, o enfraquecimento ou abandono da fé na sacramentalidade do matrimônio e no poder terapêutico da penitência sacramental.

A partir de tudo isto compreende-se como é urgente que a atenção do episcopado mundial, “cum et sub Petro”, enfrente estes desafios. Se, por exemplo, pensarmos unicamente no fato de que no contexto atual muitos adolescentes e jovens, nascidos de matrimônios irregulares, poderão nunca ver os seus pais aproximar-se dos sacramentos, compreenderemos como são urgentes os desafios apresentados à evangelização pela situação atual, de resto difundida em todas as partes da “aldeia global”. Esta realidade encontra uma correspondência singular no vasto acolhimento que tem, nos nossos dias, o ensinamento sobre a misericórdia divina e sobre a ternura em relação às pessoas feridas, nas periferias geográficas e existenciais: as expectativas que disto derivam, a propósito das escolhas pastorais relativas à família, são extremamente amplas. Por isso, uma reflexão do Sínodo dos Bispos a respeito destes temas parece tanto necessária e urgente quanto indispensável, como expressão de caridade dos Pastores em relação a quantos lhes são confiados e a toda a família humana.

II – A Igreja e o Evangelho sobre a família

A boa nova do amor divino deve ser proclamada a quantos vivem esta fundamental experiência humana pessoal, de casal e de comunhão aberta ao dom dos filhos, que é a comunidade familiar. A doutrina da fé sobre o matrimônio deve ser apresentada de modo comunicativo e eficaz, para ser capaz de alcançar os corações e de transformá-los segundo a vontade de Deus manifestada em Cristo Jesus.

A propósito das fontes bíblicas sobre o matrimônio e a família, nesta circunstância apresentamos somente as referências essenciais. Também no que se refere aos documentos do Magistério, parece oportuno limitar-se aos documentos do Magistério universal da Igreja, integrando-os com alguns textos emanados pelo Pontifício Conselho para a Família e atribuindo aos Bispos participantes no Sínodo a tarefa de dar voz aos documentos dos seus respectivos organismos episcopais.

Em todas as épocas e nas culturas mais diversificadas nunca faltou o ensinamento claro dos Pastores, nem o testemunho concreto dos fiéis, homens e mulheres que, em circunstâncias muito diversas, viveram o Evangelho sobre a família como uma dádiva incomensurável para a sua própria vida e para a vida dos sues filhos. O compromisso a favor do próximo Sínodo Extraordinário é assumido e sustentado pelo desejo de comunicar esta mensagem a todos, com maior incisividade, esperando assim que «o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais os corações dos homens» (DV 26).

O projeto de Deus Criador e Redentor

A beleza da mensagem bíblica sobre a família tem a sua raiz na criação do homem e da mulher, ambos criados à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 24-31; 2, 4b-25). Ligados por um vínculo sacramental indissolúvel, os esposos vivem a beleza do amor, da paternidade, da maternidade e da dignidade suprema de participar deste modo na obra criadora de Deus.

No dom do fruto da sua união, eles assumem a responsabilidade do crescimento e da educação de outras pessoas, para o futuro do gênero humano. Através da procriação, o homem e a mulher realizam na fé a vocação de ser colaboradores de Deus na preservação da criação e no desenvolvimento da família humana.

O Beato João Paulo II comentou este aspecto na Familiaris Consortio: «Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26 s.): chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor. Deus é amor (1 Jo 4, 8) e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão (cf. Gaudium et Spes, 12). O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação de cada ser humano» (FC 11).

Este projeto de Deus Criador, que o pecado original deturpou (cf. Gn 3, 1-24), manifestou-se na história através das vicissitudes do povo eleito, até à plenitude dos tempos, pois mediante a encarnação o Filho de Deus não apenas confirmou a vontade divina de salvação, mas com a redenção ofereceu a graça de obedecer a esta mesma vontade.

O Filho de Deus, Palavra que se fez carne (cf. Jo 1, 14) no seio da Virgem Mãe, viveu e cresceu na família de Nazaré, e participou nas bodas de Caná, cuja festa foi por Ele enriquecida com o primeiro dos seus “sinais” (cf. Jo 2, 1-11). Ele aceitou com alegria o acolhimento familiar dos seus primeiros discípulos (cf. Mc 1, 29-31; 2, 13-17) e consolou o luto da família dos seus amigos em Betânia (cf. Lc 10, 38-42; Jo 11, 1-44).

Jesus Cristo restabeleceu a beleza do matrimônio, voltando a propor o projeto unitário de Deus, que tinha sido abandonado devido à dureza do coração humano, até mesmo no interior da tradição do povo de Israel (cf. Mt 5, 31-32; 19.3-12; Mc 10, 1-12; Lc 16, 18). Voltando à origem, Jesus ensinou a unidade e a fidelidade dos esposos, recusando o repúdio e o adultério.

Precisamente através da beleza extraordinária do amor humano – já celebrada com contornos inspirados no Cântico dos Cânticos, e do vínculo esponsal exigido e defendido por Profetas como Oseias (cf. Os 1, 2-3,3) e Malaquias (cf. Ml 2, 13-16) – Jesus confirmou a dignidade originária do amor entre o homem e a mulher.

O ensinamento da Igreja sobre a família

Também na comunidade cristã primitiva a família se manifestava como “Igreja doméstica” (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1655): nos chamados “códigos familiares” das Cartas apostólicas neotestamentárias, a grande família do mundo antigo é identificada como o lugar da solidariedade mais profunda entre esposas e maridos, entre pais e filhos, entre ricos e pobres (cf. Ef 5, 21-6, 9; Cl 3, 18-4, 1; 1 Tm 2, 8-15; Tt 2, 1-10; 1 Pd 2, 13-3, 7; cf., além disso, também a Carta a Filemon). Em particular, a Carta aos Efésios identificou no amor nupcial entre o homem e a mulher «o grande mistério», que torna presente no mundo o amor de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 31-32).

Ao longo dos séculos, sobretudo na época moderna até aos nossos dias, a Igreja não fez faltar um seu ensinamento constante e crescente sobre a família e sobre o matrimônio que a fundamenta. Uma das expressões mais excelsas foi a proposta do Concílio Ecumênico Vaticano II, na Constituição pastoral Gaudium et Spes que, abordando algumas problemáticas mais urgentes, dedica um capítulo inteiro à promoção da dignidade do matrimônio e da família, como sobressai na descrição do seu valor para a constituição da sociedade: «A família – na qual se congregam as diferentes gerações que reciprocamente se ajudam a alcançar uma sabedoria mais plena e a conciliar os direitos pessoais com as outras exigências da vida social – constitui assim o fundamento da sociedade» (GS 52). Particularmente intenso é o apelo a uma espiritualidade cristocêntrica dirigida aos esposos crentes: «Os próprios esposos, feitos à imagem de Deus e estabelecidos numa ordem verdadeiramente pessoal, estejam unidos em comunhão de afeto e de pensamento e com mútua santidade, de modo que, seguindo a Cristo, princípio da vida, se tornem pela fidelidade do seu amor, através das alegrias e dos sacrifícios da sua vocação, testemunhas daquele mistério de amor que Deus revelou ao mundo com a sua morte e a sua ressurreição» (GS 52).

Também os Sucessores de Pedro, depois do Concílio Vaticano II, enriqueceram mediante o seu Magistério a doutrina sobre o matrimônio e a família, de modo especial Paulo VI com a Encíclica Humanae Vitae, que oferece ensinamentos específicos a níveis de princípio e de prática. Sucessivamente, o Papa João Paulo II, na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, quis insistir na proposta do desígnio divino acerca da verdade originária do amor esponsal e familiar: «O “lugar” único, que torna possível esta doação segundo a sua verdade total, é o matrimônio, ou seja, o pacto de amor conjugal ou escolha consciente e livre, com a qual o homem e a mulher recebem a comunidade íntima de vida e de amor, querida pelo próprio Deus (cfr. Gaudium et Spes, 48), que só a esta luz manifesta o seu verdadeiro significado. A instituição matrimonial não é uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, nem a imposição extrínseca de uma forma, mas uma exigência interior do pacto de amor conjugal que publicamente se afirma como único e exclusivo, para que seja vivida assim a plena fidelidade ao desígnio de Deus Criador. Longe de mortificar a liberdade da pessoa, esta fidelidade põe-na em segurança em relação ao subjetivismo e relativismo, tornando-a participante da Sabedoria criadora» (FC 11).

O Catecismo da Igreja Católica reúne estes dados fundamentais: «A aliança matrimonial, pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma comunidade íntima de vida e de amor; foi fundada e dotada das suas leis próprias pelo Criador: Pela sua natureza, ordena-se ao bem dos cônjuges, bem como à procriação e educação dos filhos. Entre os batizados, foi elevada por Cristo Senhor à dignidade de sacramento [cf. Concílio Ecumênico Vaticano II, Gaudium et Spes, 48; Código de Direito Canônico, cân. 1055 § 1]» (CCC, n. 1660).

A doutrina exposta no Catecismo refere-se tanto aos princípios teológicos como aos comportamentos morais, abordados sob dois títulos distintos: O sacramento do matrimônio (nn. 1601-1658) e O sexto mandamento (nn. 2331-2391). Uma leitura atenta destas partes do Catecismo oferece uma compreensão atualizada da doutrina da fé, em benefício da atividade da Igreja diante dos desafios contemporâneos. A sua pastoral encontra inspiração na verdade do matrimônio visto no desígnio de Deus, que criou varão e mulher, e na plenitude dos tempos revelou em Jesus também a plenitude do amor esponsal, elevado a sacramento. O matrimônio cristão, fundamentado sobre o consenso, é dotado também de efeitos próprios, e, no entanto, a tarefa dos cônjuges não é subtraída ao regime do pecado (cf. Gn 3, 1-24), que pode provocar feridas profundas e até ofensas contra a própria dignidade do sacramento.

«O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no matrimônio. Tal união nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, nasce do reconhecimento e aceitação do bem que é a diferença sexual, em virtude da qual os cônjuges se podem unir numa só carne (cf. Gn 2, 24) e são capazes de gerar uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor. Fundados sobre este amor, homem e mulher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira e que lembra muitos traços da fé: prometer um amor que dure para sempre é possível quando se descobre um desígnio maior que os próprios projetos, que nos sustenta e permite doar o futuro inteiro à pessoa amada» (LF 52). «A fé não é um refúgio para gente sem coragem, mas a dilatação da vida: faz descobrir uma grande chamada — a vocação ao amor — e assegura que este amor é fiável, que vale a pena entregar-se a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que é mais forte do que toda a nossa fragilidade» (LF 53).

III – Questionário

As seguintes perguntas permitem às Igrejas particulares participar ativamente na preparação do Sínodo Extraordinário, que tem a finalidade de anunciar o Evangelho nos atuais desafios pastorais a respeito da família.

1 – Sobre a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família

a) Qual é o conhecimento real dos ensinamentos da Bíblia, da Gaudium et Spes, da Familiaris Consortio e de outros documentos do Magistério pós-conciliar sobre o valor da família segundo a Igreja católica? Como os nossos fiéis são formados para a vida familiar, em conformidade com o ensinamento da Igreja?

b) Onde é conhecido, o ensinamento da Igreja é aceite integralmente. Verificam-se dificuldades na hora de o pôr em prática? Se sim, quais?

c) Como o ensinamento da Igreja é difundido no contexto dos programas pastorais nos planos nacional, diocesano e paroquial? Que tipo de catequese sobre a família é promovida?

d) Em que medida – e em particular sob que aspectos – este ensinamento é realmente conhecido, aceite, rejeitado e/ou criticado nos ambientes extra-eclesiais? Quais são os fatores culturais que impedem a plena aceitação do ensinamento da Igreja sobre a família?

2 – Sobre o matrimônio segundo a lei natural

a) Que lugar ocupa o conceito de lei natural na cultura civil, quer nos planos institucional, educativo e acadêmico, quer a nível popular? Que visões da antropologia estão subjacentes a este debate sobre o fundamento natural da família?

b) O conceito de lei natural em relação à união entre o homem e a mulher é geralmente aceite, enquanto tal, por parte dos batizados?

c) Como é contestada, na prática e na teoria, a lei natural sobre a união entre o homem e a mulher, em vista da formação de uma família? Como é proposta e aprofundada nos organismos civis e eclesiais?

d) Quando a celebração do matrimônio é pedida por batizados não praticantes, ou que se declaram não-crentes, como enfrentar os desafios pastorais que disto derivam?

3 – A pastoral da família no contexto da evangelização

Quais foram as experiências que surgiram nas últimas décadas em ordem à preparação para o matrimônio? Como se procurou estimular a tarefa de evangelização dos esposos e da família? De que modo promover a consciência da família como “Igreja doméstica”?

Conseguiu-se propor estilos de oração em família, capazes de resistir à complexidade da vida e da cultural contemporânea?

Na atual situação de crise entre as gerações, como as famílias cristãs souberam realizar a própria vocação de transmissão da fé?

De que modo as Igrejas locais e os movimentos de espiritualidade familiar souberam criar percursos exemplares?

Qual é a contribuição específica que casais e famílias conseguiram oferecer, em ordem à difusão de uma visão integral do casal e da família cristã, hoje credível?

Que atenção pastoral a Igreja mostrou para sustentar o caminho dos casais em formação e dos casais em crise?

4 – Sobre a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis

a) A convivência ad experimentum é uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-la numericamente?

b) Existem uniões livres de fato, sem o reconhecimento religioso nem civil? Dispõem-se de dados estatísticos confiáveis?

c) Os separados e os divorciados recasados constituem uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-los numericamente? Como se enfrenta esta realidade, através de programas pastorais adequados?

d) Em todos estes casos: como vivem os batizados a sua irregularidade? Estão conscientes da mesma? Simplesmente manifestam indiferença? Sentem-se marginalizados e vivem com sofrimento a impossibilidade de receber os sacramentos?

e) Quais são os pedidos que as pessoas separadas e divorciadas dirigem à Igreja, a propósito dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação? Entre as pessoas que se encontram em tais situações, quantas pedem estes sacramentos?

f) A simplificação da praxe canônica em ordem ao reconhecimento da declaração de nulidade do vínculo matrimonial poderia oferecer uma contribuição positiva real para a solução das problemáticas das pessoas interessadas? Se sim, de que forma?

g) Existe uma pastoral para ir ao encontro destes casos? Como se realiza esta atividade pastoral? Existem programas a este propósito, nos planos nacional e diocesano? Como a misericórdia de Deus é anunciada a separados e divorciados recasados e como se põe em prática a ajuda da Igreja para o seu caminho de fé?

5 – Sobre as uniões de pessoas do mesmo sexo

a) Existe no vosso país uma lei civil de reconhecimento das uniões de pessoas do mesmo sexo, equiparadas de alguma forma ao matrimônio?

b) Qual é a atitude das Igrejas particulares e locais, quer diante do Estado civil promotor de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, quer perante as pessoas envolvidas neste tipo de união?

c) Que atenção pastoral é possível prestar às pessoas que escolheram viver em conformidade com este tipo de união?

d) No caso de uniões de pessoas do mesmo sexo que adotaram crianças, como é necessário comportar-se pastoralmente, em vista da transmissão da fé?

6 – Sobre a educação dos filhos no contexto das situações de matrimônios irregulares

a) Qual é nestes casos a proporção aproximativa de crianças e adolescentes, em relação às crianças nascidas e educadas em famílias regularmente constituídas?

b) Com que atitude os pais se dirigem à Igreja? O que pedem? Somente os sacramentos, ou inclusive a catequese e o ensinamento da religião em geral?

c) Como as Igrejas particulares vão ao encontro da necessidade dos pais destas crianças, de oferecer uma educação cristã aos próprios filhos?

d) Como se realiza a prática sacramental em tais casos: a preparação, a administração do sacramento e o acompanhamento?

7 – Sobre a abertura dos esposos à vida

a) Qual é o conhecimento real que os cristãos têm da doutrina da Humanae Vitae a respeito da paternidade responsável? Que consciência têm da avaliação moral dos diferentes métodos de regulação dos nascimentos? Que aprofundamentos poderiam ser sugeridos a respeito desta matéria, sob o ponto de vista pastoral?

b) Esta doutrina moral é aceite? Quais são os aspectos mais problemáticos que tornam difícil a sua aceitação para a grande maioria dos casais?

c) Que métodos naturais são promovidos por parte das Igrejas particulares, para ajudar os cônjuges a pôr em prática a doutrina da Humanae Vitae?

d) Qual é a experiência relativa a este tema na prática do sacramento da penitência e na participação na Eucaristia?

e) Quais são, a este propósito, os contrastes que se salientam entre a doutrina da Igreja e a educação civil?

f) Como promover uma mentalidade mais aberta à natalidade? Como favorecer o aumento dos nascimentos?

8 – Sobre a relação entre a família e a pessoa

a) Jesus Cristo revela o mistério e a vocação do homem: a família é um lugar privilegiado para que isto aconteça?

b) Que situações críticas da família no mundo contemporâneo podem tornar-se um obstáculo para o encontro da pessoa com Cristo?

c) Em que medida as crises de fé, pelas quais as pessoas podem atravessar, incidem sobre a vida familiar?

9 – Outros desafios e propostas

Existem outros desafios e propostas a respeito dos temas abordados neste questionário, sentidos como urgentes ou úteis por parte dos destinatários?

Para onde enviar as respostas:

O questionário respondido pode ser enviado para os seguintes endereços:

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
SE/Sul Quadra 801 Conjunto “B”
70.200-014
BRASÍLIA – DF

E-mail: secgeral@cnbb.org.br

Nunciatura Apostólica no Brasil
SES Avenida das Nações quadra 801 lote 1
CEP: 70.401-900 – Brasília / DF
Caixa Postal 153 CEP: 70.359-970
E-mail: nunapost@solar.com.br

Secretaria da Diocese
O questionário com as respostas também pode ser entregue na secretaria de sua diocese.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/525624-as-38-perguntas-em-preparacao-ao-sinodo-extraordinario-sobre-a-familia


2 Comentários

Sobre a transmissão da Fé

Robson Cavalcanti

Teólogo e leigo Católico

Hoje domingo, 24-11-2013 se dá o encerramento solene do Ano da Fé.

Ao longo deste ano várias fontes midiáticas católicas falaram sobre isso. O Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo, elaborou uma carta pastoral sobre este assunto. Contudo, tenho a suspeita de que nas muitas comunidades eclesiais de base, muito pouco ou nada se falou a respeito. Eu digo isso a partir da pequena comunidade da qual participo.

Neste caso vejo um problema, porém não no fato de não ter feito uma “propaganda” destes subsídios, ou feito sua distribuição. No meu ver, o problema maior está no fato de que as pequenas comunidades católicas não estão garantindo ou não estão sendo ajudadas a garantir seu futuro a partir das novas gerações, uma vez que se a fé destas novas gerações não é irrigada pela consciência de fé dos mais velhos, não sendo possível esperar que elas tenham ou professem no futuro uma fé cristã e católica, ou seja, aqui temos uma principal barreira para a transmissão da fé.

É evidente que falta apoio, incentivo e muita formação para o povo que se reúne nessas comunidades. Os padres, diáconos, seminaristas, ou seja, os clérigos ou futuros clérigos tem faltado muito nesta parte. As formações promovidas a nível regional ou arquidiocesano dificultam este processo de ensino e aprendizagem, pois o povo não tem disponibilidade seja financeira ou de tempo para ir até os locais de formação, as formações não tem um processo contínuo e quando tem o intervalo de tempo é muito grande.

Particularmente na comunidade na qual participo o Pároco não tem feito mais do que celebrar a missa, cumprimentar as pessoas. Faz meses que as lideranças e o pároco não se reúnem para compartilhar as dores e as esperanças. Como formar novas lideranças quando não estamos sustentando a atual? Uma comunidade necessita de organização e o conselho seria o meio mais eficaz neste caso. Contudo, sem reuniões periódicas do conselho, o diagnóstico é uma comunidade esteticamente bonita e organicamente desmantelada.

As crianças e jovens são cada vez mais encantados por outras atividades aos sábados e domingos. A missa não é mais um lugar referencial para transmissão da fé para esta geração, uma vez que na paróquia temos mais pessoas adultas ou idosas do que propriamente de crianças e jovens. A linguagem em muitos casos e lugares também é um obstáculo a ser transpassado, visto que nem sempre os padres e as lideranças comunitárias conseguem utilizar e transmitir uma mensagem com uma linguagem compatível para lidar com essa geração nova.

Contudo, a Igreja Católica na sua totalidade no mundo é convocada a pensar nestas questões. Não é a toa que teremos um sínodo extraordinário sobre a família em 2014. A família, primeira comunidade, infelizmente não consegue mais ser um núcleo onde tudo converge e tudo se aceita, não consegue ser mais relevante e cada vez menos, temos nas nossas celebrações família completas participando. As crianças e jovens não tem mais a instrução e o amparo da família em questões da fé. Temos cada dia mais crianças e jovens desprovidos de formação básica como a oração do Pai Nosso, Ave Maria e pouco sabe sobre Jesus.

A partir disso, acredito ser cabível e oportuno aos padres, pastores destas pequenas comunidades, e também aos leigos e leigas inseridos nas mesmas, refletir sobre nosso papel no processo de transmissão da fé. Será que estamos transmitindo eficazmente a fé para as novas gerações? O que está sendo plantado hoje para colher no futuro? O que esperar do Cristianismo do futuro? Um cristianismo somente evangélico ou protestante? Um cristianismo sem Cristo?

Será que já não é a hora de ouvir o futuro da Igreja para que ela seja e exista no futuro?

São algumas questões iniciais para pensar.

A Igreja de Roma na voz do Papa nos diz: A hora e tempo já chegaram faz tempo!

Esta consulta pública mostra que a Igreja deve ouvir todos. No entanto, corre-se o risco desta discussão ficar somente entre os clérigos.

Penso que enquanto a orientação vier somente de cima pra baixo de um grupo de pessoas que tem idade acima de 29 anos e que não ouve os mais novos de 30 nada ou quase nada mudará. Pois é justamente a criançada e a juventude que será o futuro da Igreja.

Por isso, espero que esta consulta sobre a família atinja todos os fiéis da Igreja Católica, chegue a todas as bases, a todas as capelas e pequenas comunidades e, sobretudo na comunidade que participo.

A transmissão só começa quando se dá o primeiro passo. E a Fé somente quando o anúncio e o testemunho chegam aos ouvidos e ao coração do povo.


Deixe um comentário

Os convidados VIP do Cristianismo

Robson Cavalcanti

Teólogo e Leigo Católico.

Quando o Papa Francisco fala em Assis, ele também fala para o mundo todo e para todos!

A boa nova do Evangelho precisa ser atualizada diariamente. E o encontro com os marginalizados é sem dúvida uma tema central. O Papa frisou bem a necessidade de não termos medo de sair ao encontro dos marginalizados. Para isso ele aponta para a necessidade de abandonar “preconceitos, por costumes, rigidezes mentais ou pastorais, pelo “sempre se fez assim”.

O Papa também lembra a missão da Igreja em anunciar, sobretudo até as periferias. Jesus vem da periferia e vai a periferia. Podemos nos perguntar: quais?

O Papa propõe uma reflexão: “Perguntemo-nos, quais são as periferias nesta Diocese.” Mostra que é preciso levar em conta a questão social e territorial da Diocese, pois há de fato necessidade de levar Jesus a estes lugares. Porém não só isso, mas também “são as pessoas, realidades humanas marginalizadas nos fatos, desprezadas. São pessoas que talvez se encontrem fisicamente perto do “centro”, mas espiritualmente distantes”.

E a partir desta reflexão propõe uma ação: “Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, na nossa instituição paroquial ou na nossa instituição diocesana, quando há tanta gente esperando o Evangelho!”

E para uma ação simplista afirma: “Não se trata simplesmente de abrir a porta para que venham, para acolher, mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar.”

A Juventude são também protagonistas desta ação, devendo ser incitadas. Mas sem a carga de cobrança e rechaço tantas vezes vividas nas comunidades.

O Papa Francisco, com seu olhar de pastor ensina-nos a olhar da mesma forma: “Incitemos os jovens para sair. Vão certamente fazer asneiras… não tenhamos medo! Os Apóstolos fizeram-nas antes de nós. Incitemo-los para sair. Decididamente pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que estão mais afastados, daqueles que habitualmente não freqüentam a paróquia. Eles são os convidados VIP”

A necessidade da Igreja, é de fato ir ao encontro do outro. O evangelho é fonte de inspiração para nossa vida pastoral e evangelizadora, pois Jesus é o mestre dos encontros. Quanta gente ele encontrou pelo caminho, quantas parábolas de encontro ensinou aos apóstolos e agora a nós também. O evangelho é um verdadeiro encontro entre o divino e o humano.

Mas precisamos saber acolher também aqueles e aquelas que vem até Jesus, vem até a Igreja. Um olhar, um toque, um bom dia verdadeiro. A continuidade do contato, da amizade fora do prédio que abriga a Igreja. A Igreja precisa ser ele também fora do prédio que a abriga, que a acolhe!

Deixemos cair por terra nosso jeito, nossa forma de pensar. Deixemos ser afetados por Jeus Cristo, que possamos assumir suas atitudes.

E não podemos nunca perder de vista, que na Igreja e sobretudo no Cristianismo, os que estão de fora são nossos convidados VIP.

Por isso, sejam todos bem vindos!