Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"


Deixe um comentário

ÂNGELUS

A oração do Angelus, que o Papa reza sempre. Eu não sabia o que era direito e agora compartilho com vocês.

Robson Cavalcanti

Teólogo e Leigo Católico

 

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria.

R. E Ela concebeu do Espírito Santo.

Ave Maria…

V. Eis a escrava do Senhor.

R. Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra.

Ave Maria…

V. E o Verbo divino encarnou.

R. E habitou no meio de nós.

Ave Maria…

V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos.

Infundi, Senhor, como Vos pedimos, a Vossa graça nas nossas almas, para que nós, que pela Anunciação do Anjo conhecemos a Encarnação de Cristo, Vosso Filho, pela sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém!

Anúncios


1 comentário

Oração e ação!

“A vida cristã não se limita a hora de rezas, mas requer um compromisso contínuo e corajoso que nasce da oração”.

                                                                                   FRANCISCO


Deixe um comentário

Tú és meu irmão!

“Convencerei o outro a se tornar católico? Não, não; vou encontrá-lo. É seu irmão, isso basta. Com isso, você o ajudará; Jesus faz o restante, o Espírito Santo faz”. “Seu coração, quando você se encontrar com aquele que mais necessita, comece a se agigantar, agigantar, agigantar, porque o encontro multiplica a capacidade do amor, engrandece o coração”.

                                                                                   Francisco

 

FRANCISCO


1 comentário

Um Cristianismo para o século XXI

Robson Cavalcanti

Teólogo e Leigo Católico

 

Olá amigos! Paz de Cristo!

Diante da mudança de época da qual nos encontramos, acredito que seja possível pensar em um Deus que independa de Religião, pois Deus é mistério e se manifesta de uma forma que foge a nossa razão. No AT temos diversos relatos da manifestação de Deus em momentos inusitados e em povos diferentes. No NT Paulo falou no Aerópago de Deus ao um povo que somente tinha um altar ao “Deus desconhecido”. A partir dai, podemos entender que Deus é universal, manifestando ao seu modo aos povos e a toda criação. Neste sentido, o Cristianismo do século XXI necessita considerar esta dimensão, para que não caia na tentação de pregar um Deus exclusivista, um Deus meramente Cristão, fechado e enquadrado a uma religião só, diferente do apresentado na Bíblia. A História do Povo de Deus e do Cristianismo do primeiro século é marcada pela compreensão de que o mesmo Deus de Abraão, Isaac e Jacó é o mesmo Deus dos profetas e o mesmo Deus de Jesus. O Cristianismo do século XXI precisa estar em constante conversão, buscando ser cada vez mais fiel a Jesus Cristo e aos seus ensinamentos de abertura ao próximo. O Catolicismo Romano, por exemplo, perdeu um pouco desta essência evangélica, se romanizou, se burocratizou. Porém hoje temos o Papa Francisco que está tentando retomar esta perspectiva cristã evangélica, mais pé no chão, mais contextual, menos abstrata, mais simples, mais pobre, menos burocrática. Jesus era um criador de pontes. No seu tempo, Ele escandalizou a muitos com suas atitudes de pluralismo religioso e ecumênicas, ao enviar discípulos a todas as nações até os confins da terra, falando com pessoa de outros povos (a Cananéia e a Samaritana), enfatizou que o próximo é de quem me aproximo (o “bom samaritano”). Jesus orou a Deus pedindo para que sejamos um para que o mundo creia Jesus é de fato o enviado do Pai. Ou seja, Ele quer nosso testemunho de unidade! Paulo aos Gálatas também nos mostrou que em Cristo não há diferenças étnicas, de raça, cor, gênero e sexo.(Gl. 3.26-29). Mateus nos ensina onde encontrar Jesus: Nos oprimidos, nos pequeninos e principalmente na caridade. (MT 25).

Portanto, é possível ver a luz da Bíblia, que toda essa atitude universal ecumênica está dentro da lógica do Reino de Deus, pela vontade de Deus! Deus quer o amor, a misericórdia, a paz e a unidade entre a sua criação, principalmente entre aqueles que professam e o adoram. Dentro do campo teológico temos várias perspectivas com vários pontos de partida, desde uma abordagem mais centrada em Deus (Teocêntrica), outra mais centrada em Jesus Cristo (Cristocêntrica) e por ai vai. Porém a partir do século XX e neste século XXI, estamos sendo chamados a considerar a perspectiva a partir do Reino de Deus (Reinocêntrica). Esta abordagem ajudará cada vez mais a humanidade a amar toda criação de Deus e não limitar este Reino somente a Cristãos, mas sim a todos os filhos de Deus que ele ama muito.

Que nos deixemos tocar por esta perspectiva, vontade de Deus expressa nos evangelhos.

Fiquem com Deus!

 


Deixe um comentário

Por um novo pacto das catacumbas

Para finalizar o dia quero compartilhar com você este maravilhoso artigo de Marcelo Barros, cheio de memórias de verdadeiros profetas do evangelho de Jesus Cristo, do Concílio Vaticano II e deste novo momento de retomada das linhas mestras deste mesmo Concílio por Francisco.

Eis o texto:

Helder Camara Luciano Mendes  Antônio Fragoso

 

A recente visita do papa Francisco ao Brasil recordou à Igreja Católica a sua missão de dialogar com a humanidade, oferecer às pessoas o testemunho de que Deus é amor e inclusão e não um senhor todo poderoso, frio e amigo apenas dos seus amigos.

Nessa semana, no Brasil, as comunidades cristãs e as pessoas que buscam a justiça lembram com saudade de três bispos que exerceram sua missão de modo profético e nos deixaram no mês de agosto.

No dia 27, celebramos o aniversário da partida de Dom Helder Camara (1999). Também, no mesmo dia, partiu Dom Luciano Mendes de Almeida (2006). Poucos dias antes, lembrávamos Dom Antônio Fragoso, outro profeta que nos deixou em agosto (12/08/2006). A esses bispos, não teria sido necessário o papa Francisco pedir que fossem à periferia e tornassem a Igreja pobre e dos pobres. Eles já viviam isso por convicção de fé e por terem sido confirmados nesse caminho pelo Concílio Vaticano II. Dom Luciano se tornou bispo depois do Concílio, mas Dom Helder e Dom Fragoso lideraram um grupo de mais de 40 bispos que, no dia 16 de novembro de 1965, se reuniu em Roma e assinou um compromisso de viver como pobres e ajudar a Igreja a se inserir no meio dos pobres como uma Igreja serva, pobre e missionária. Como a reunião foi nas Catacumbas de Domitila, esse documento se chamou “Pacto das Catacumbas”. Nesses dias, pastores e fiéis da Itália retomaram esse texto e o assinaram, como proposta a bispos, padres, religiosos/as e fieis que se guiem por esse caminho da simplicidade e comunhão com os mais empobrecidos.

No Brasil, três bispos eméritos, Dom Tomás Balduíno, Dom José Maria Pires e Dom Pedro Casaldáliga, escreveram uma carta aberta a todos os bispos brasileiros recordando os princípios fundamentais da renovação eclesial do Concílio Vaticano II: o caráter próprio e de Igreja de cada diocese, a responsabilidade de todos os bispos junto com o papa pela Igreja Universal e a necessidade da Igreja retomar o diálogo amoroso com a humanidade, que o papa João XXIII iniciou. De fato, em 1965, os bispos assinaram o pacto das catacumbas para ajudar a Igreja a se converter e se transformar em uma Igreja pobre e servidora de todos. Mais tarde, na América Latina, a Teologia da Libertação nos ajudou a ir além disso.

No nosso continente, como na África, a Igreja tem uma dívida histórica, já que chegou ao continente através dos conquistadores e, apesar da resistência de muitos missionários, foi conivente com a escravidão e corresponsável da perseguição e condenação às culturas indígenas e afrodescendentes. Então, é ótimo que, como pede o pacto das catacumbas, bispos e padres renunciem a todo sinal de pompa e poder e se tornem pobres com os pobres. Entretanto, é preciso ir além: precisamos estar junto dos pobres contra a pobreza injusta que não é do agrado de Deus e é responsável por muitas mortes e muitos sofrimentos na humanidade. Isso significa um passo que pastores como Dom Helder Camara e muitos bispos do seu tempo deram: superar preconceitos e dialogar com a parte da humanidade que procura a transformação social e tem fome e sede de justiça e de um mundo mais igualitário e livre. No passado, muitas vezes, a ideia de revolução esteve ligada com ódio, violência e luta armada. Hoje, precisamos resgatar a meta de uma revolução social e política baseada em valores humanos e em uma nova ética. Essa revolução radicaliza a democracia, toma a educação como tarefa prioritária para transformar o mundo e valoriza as culturas indígenas e negras. Na América Latina, essa é a proposta do novo bolivarianismo. Para quem é cristão, lembra o que escreveu Paulo aos romanos: “Não se conformem com esse mundo, mas o transformem pela renovação de suas mentes” (Rm 12, 1).

Fonte Adital: http://www.adital.com.br/?n=cmnv

Robson Cavalcanti

Leigo e Teólogo Católico


Deixe um comentário

CARTA AOS BISPOS DO BRASIL por Dom José Maria Pires, Dom Tomás Balduíno e Dom Pedro Casaldáliga.

Queridos amigos! Compartilho com vocês esta carta emocionante destes grandes homens do nosso episcopado brasileiro que sempre fortaleceram a Igreja do Pobres tão pedida pelo nosso querido Papa Francisco.

Eis o Texto:

Caros Irmãos, paz e bem!

Envio os textos em anexo a pedido de nossos irmãos Dom José Maria Pires, Dom Tomás Balduíno e Dom Pedro Casaldáliga.

Sempre unidos pelo desejo de servir,

 + Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

Bispos Eméritos escrevem aos Bispos do Brasil

 Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba, Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás e Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, escrevem uma Carta aos Bispos do Brasil.

Eis a carta.

 15 de agosto de 2013, Festa da Assunção de Nossa Senhora.

Queridos irmãos no episcopado,

Somos três bispos eméritos que, de acordo com o ensinamento do Concílio Vaticano II, apesar de não sermos mais pastores de uma Igreja local, somos sempre participantes do Colégio episcopal, e junto com o Papa, nos sentimos responsáveis pela comunhão universal da Igreja Católica.

Alegrou-nos muito a eleição do Papa Franciscono pastoreio da Igreja, pelas suas mensagens de renovação e conversão, com seus seguidos apelos a uma maior simplicidade evangélica e maior zelo de amor pastoral por toda a Igreja. Tocou-nos também a sua recente visita ao Brasil, particularmente suas palavras aos jovens e aos bispos. Isso até nos trouxe a memória do histórico Pacto das Catacumbas.

Será que nós bispos nos damos conta do que, teologicamente, significa esse novo horizonte eclesial? No Brasil, em uma entrevista, o Papa recordou a famosa máxima medieval: “Ecclesia semper renovanda”.

Por pensar nessa nossa responsabilidade como bispos da Igreja Católica, nos permitimos esse gesto de confiança de lhes escrever essas reflexões, com um pedido fraterno para que desenvolvamos um maior diálogo a respeito.

1. A Teologia do Vaticano II sobre o ministério episcopal

O Decreto Christus Dominusdedica o 2º capítulo à relação entre bispo e Igreja Particular. Cada Diocese é apresentada como “porção do Povo de Deus” (não é mais apenas um território) e afirma que, “em cada Igreja local está e opera verdadeiramente a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica” (CD 11), pois toda Igreja local não é apenas um pedaço de Igreja ou filial do Vaticano, mas é verdadeiramente Igreja de Cristo e, assim a designa o Novo Testamento (LG 22). “Cada Igreja local é congregada pelo Espírito Santo, por meio do Evangelho, tem sua consistência própria no serviço da caridade, isto é, na missão de transformar o mundo e testemunhar o Reino de Deus. Essa missão é expressa na Eucaristia e nos sacramentos. Isso é vivido na comunhão com seu pastor, o bispo”.

Essa teologia situa o bispo não acima ou fora de sua Igreja, mas como cristão inserido no rebanho e com um ministério de serviço a seus irmãos. É a partir dessa inserção que cada bispo, local ou emérito, assim como os auxiliares e os que trabalham em funções pastorais sem dioceses,todos, enquanto portadores do dom recebido de Deus na ordenação são membros do Colégio Episcopal e responsáveis pela catolicidade da Igreja.

2. A sinodalidade necessária no século XXI

A organização do papado como estrutura monárquica centralizada foi instituída a partir do pontificado de Gregório VII, em 1078. Durante o 1º milênio do Cristianismo, o primado do bispo de Roma estava organizado de forma mais colegial e a Igreja toda era mais sinodal.

O Concílio Vaticano IIorientou a Igreja para a compreensão do episcopado como um ministério colegial. Essa inovação encontrou, durante o Concílio, a oposição de uma minoria inconformada. O assunto, na verdade, não foi suficientemente amarrado. Além disso, o Código de Direito Canônico, de 1983 e os documentos emanados pelo Vaticano, a partir de então, não priorizaram a colegialidade, mas restringiram a sua compreensão e criaram barreiras ao seu exercício. Isso foi em prol da centralização e crescente poder da Cúria romana, em detrimento das Conferências nacionais e continentais e do próprio Sínodo dos bispos, este de caráter apenas consultivo e não deliberativo, sendo que tais organismos detêm, junto com o Bispo de Roma, o supremo e pleno poder em relação à Igreja inteira.

Agora, o Papa Franciscoparece desejar restituir às estruturas da Igreja Católica e a cada uma de nossas dioceses uma organização mais sinodal e de comunhão colegiada. Nessa orientação, ele constituiu uma comissão de cardeais de todos os continentes para estudar uma possível reforma da Cúria Romana. Entretanto, para dar passos concretos e eficientes nesse caminho – e que já está acontecendo – ele precisa da nossa participação ativa e consciente. Devemos fazer isso como forma de compreender a própria função de bispos, não como meros conselheiros e auxiliares do papa, que o ajudam à medida que ele pede ou deseja e sim como pastores, encarregados com o papa de zelar pela comunhão universal e o cuidado de todas as Igrejas.

3. O cinquentenário do Concílio

Nesse momento histórico, que coincide também com o cinqüentenário do Concílio Vaticano II, a primeira contribuição que podemos dar à Igreja é assumir nossa missão de pastores que exercem o sacerdócio do Novo Testamento, não como sacerdotes da antiga lei e sim, como profetas. Isso nos obriga colaborar efetivamente com o bispo de Roma, expressando com mais liberdade e autonomia nossa opinião sobre os assuntos que pedem uma revisão pastoral e teológica. Se os bispos de todo o mundo exercessem com mais liberdade e responsabilidade fraternas o dever do diálogo e dessem sua opinião mais livre sobre vários assuntos, certamente, se quebrariam certos tabus e a Igreja conseguiria retomar o diálogo com a humanidade, que o Papa João XXIIIiniciou e o Papa Francisco está acenando.

A ocasião, pois, é de assumir o Concílio Vaticano IIatualizado, superar de uma vez por todas a tentação de Cristandade, viver dentro de uma Igreja plural e pobre, de opção pelos pobres, uma eclesiologia de participação, de libertação, de diaconia, de profecia, de martírio… Uma Igreja explicitamente ecumênica, de fé e política, de integração da Nossa América, reivindicando os plenos direitos da mulher, superando a respeito os fechamentos advindos de uma eclesiologia equivocada.

Concluído o Concílio, alguns bispos – sendo muitos do Brasil – celebraram o Pacto das Catacumbas de Santa Domitila. Eles foram seguidos por aproximadamente 500 bispos nesse compromisso de radical e profunda conversão pessoal. Foi assim que se inaugurou a recepção corajosa e profética do Concílio.

Hoje, várias pessoas, em diversas partes do mundo, estão pensando num novo Pacto das Catacumbas. Por isso, desejando contribuir com a reflexão eclesial de vocês, enviamos anexo o texto original do Primeiro Pacto.

O clericalismo denunciado pelo Papa Francisco está sequestrando a centralidade do Povo de Deus na compreensão de uma Igreja, cujos membros, pelo batismo, são alçados à dignidade de “sacerdotes, profetas e reis”. O mesmo clericalismo vem excluindo o protagonismo eclesial dos leigos e leigas, fazendo o sacramento da ordem se sobrepor ao sacramento do batismo e à radical igualdade em Cristo de todos os batizados e batizadas.

Além disso, em um contexto de mundo no qual a maioria dos católicos está nos países do sul (América Latina e África), se torna importante dar à Igreja outros rostos além do costumeiro expresso na cultura ocidental. Nos nossos países, é preciso ter a liberdade de desocidentalizar a linguagem da fé e da liturgia latina, não para criarmos uma Igreja diferente, mas para enriquecermos a catolicidade eclesial.

Finalmente, está em jogo o nosso diálogo com o mundo. Está em questão qual a imagem de Deus que damos ao mundo e o testemunhamos pelo nosso modo de ser, pela linguagem de nossas celebrações e pela forma que toma nossa pastoral. Esse ponto é o que deve mais nos preocupar e exigir nossa atenção. Na Bíblia, para o Povo de Israel, “voltar ao primeiro amor”, significava retomar a mística e a espiritualidade do Êxodo.

Para as nossas Igrejas da América Latina, “voltar ao primeiro amor” é retomar a mística do Reino de Deus na caminhada junto com os pobres e a serviço de sua libertação. Em nossas dioceses, as pastorais sociais não podem ser meros apêndices da organização eclesial ou expressões menores do nosso cuidado pastoral. Ao contrário, é o que nos constitui como Igreja, assembleia reunida pelo Espírito para testemunhar que o Reino está vindo e que de fato oramos e desejamos: venha o teu Reino!

Esta hora é, sem dúvida, sobretudo para nós bispos, com urgência, a hora da ação. O Papa Francisco ao dirigir-se aos jovens na Jornada Mundial e ao dar-lhes apoio nas suas mobilizações, assim se expressou: “Quero que a Igreja saia às ruas”. Isso faz eco à entusiástica palavra do apóstolo Paulo aos Romanos: “É hora de despertar, é hora e de vestir as armas da luz” (13,11). Seja essa a nossa mística e nosso mais profundo amor.

Abraços, com fraterna amizade.

 Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba.

Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás.

Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia.

Quinta-feira, 15 de agosto de 2013

 fonte: Edson G P O Silva Presidente do CLASP


Deixe um comentário

O ”Pacto das Catacumbas” para uma Igreja serva e pobre

O Pacto das Catacumbas foi um ato profundo de despojamento e compromisso evangélico com a Igreja e sobretudo com os pobres do mundo. Ao celebrar hoje 27 de agosto o aniversário da partida Dom Helder para junto do Pai, quero compartilhar este post referente a este homem que foi um dos propositores do Pacto, alguém que buscou viver uma Igreja pobre, para os pobres e com os pobres.

Robson Cavalcanti

Eis o texto:

No dia 16 de novembro de 1965, há 47 anos, poucos dias antes do encerramento do Vaticano II, cerca de 40 padres conciliares celebraram uma Eucaristia nas Catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade ao Espírito de Jesus. Depois dessa celebração, assinaram o “Pacto das Catacumbas”.

O documento é um desafio aos “irmãos no Episcopado” a levar adiante uma “vida de pobreza”, uma Igreja “serva e pobre”, como sugerira o Papa João XXIII.

Os signatários – entre eles muitos brasileiros e latino-americanos, embora muitos outros aderiram ao pacto mais tarde – se comprometiam a viver em pobreza, a renunciar a todos os símbolos ou privilégios do poder e a pôr os pobres no centro do seu ministério pastoral. O texto teve uma forte influência sobre a Teologia da Libertação, que surgiria nos anos seguintes.

Um dos signatários e propositores do pacto foi Dom Helder Câmara.

Eis o texto.

Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre

Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as deficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado; contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda a determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça, comprometemo-nos ao que se segue:

1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.

2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.

3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s.

4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.

5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor…). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.

6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.

7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suas dádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.

8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração, meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.

9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relações mútuas, procuraremos transformar as obras de “beneficência” em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.

10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5, 16.

11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral – dois terços da humanidade – comprometemo-nos:

  • a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres;
  • a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria.

12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:

  • esforçar-nos-emos para “revisar nossa vida” com eles;
  • suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o espírito, do que uns chefes segundo o mundo;
  • procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores…;
  • mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.

13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão, seu concurso e suas preces.

Ajude-nos Deus a sermos fiéis.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/515573-o-pacto-das-catacumbas-para-uma-igreja-serva-e-pobre