Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"


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Em espírito e em verdade! Uma reflexão sobre o ambiente celebrativo

Robson Cavalcanti
Teólogo e Leigo Católico

Continuando na mesma linha do post anterior: Duas eclesiologias em permanente tensão onde falei sobre as duas concepções de modelo de ser Igreja, agora pretendo falar mais especificamente do ambiente celebrativo.
Na comunidade local que participo, o edifício que abriga a Igreja é utilizado para várias outras atividades, gerando desconforto e incompreensão por parte daquelas pessoas confundidas pelos dois modelos (Capela, Paróquia x CEBs). Como conseqüência, as pessoas acabam desacreditando que este lugar pode ser chamado de Igreja, acham que Igreja são somente edifícios com arquitetura religiosa como as paróquias e capelas, chegam a questionar e comentar que poderia existir somente a paróquia, enfim, falta-lhes formação, vivencia comunitária. São os cristãos católicos “não praticantes.” Entre os “católicos praticantes” o debate está mais voltado para o uso do edifício, do ambiente, dos objetos e móveis das CEBs em outras atividades fora do momento da celebração e da missa.
Por isso, apresento agora um resumido estudo sobre o espaço sagrado a fim de esclarecer estas incompreensões e diminuir os debates e tensões.

Onde podemos cultuar Deus?

Antes de qualquer coisa precisamos recordar que os lugares sagrados fazem parte da trajetória do Povo de Deus no seu amadurecimento da fé e espiritualidade. Eles são considerados sagrados por causa de uma experiência de Deus, algo especial da parte de Deus que aconteceu ali. Como exemplo, podemos citar Noé após o dilúvio (Gn 8), Moisés no monte Horebe (Ex 3) e Jesus no monte da transfiguração (Mc 9).
Na trajetória do povo de Deus, temos depois das teofanias (os lugares da manifestação de Deus citadas anteriormente) a construção do Tabernáculo, lugar muito parecido com as casas que o povo morava e que abrigava a Arca da Aliança, o santo dos santos, ou seja, o próprio Deus Javé (Yaweh).O tabernáculo acompanhava o povo de Deus que era nômade por toda parte no seu peregrinar até a terra prometida.
Quando chegaram a Canaã, o povo se instala definitivamente, se tornando sedentários. Neste período do qual Salomão foi Rei, decidem construir o Templo (1Rs 5) em Jerusalém, que era um lugar de referência religiosa, política e econômica.
Por volta de 600 anos antes de Cristo, o templo foi destruído pelos babilônios, reedificado por Neemias em meados de 518 a.C, e por Herodes entre 19 a.C a 64 d.C. Nos anos 70 d.C foi incendiado e arrasado pelo general romano Tito. Atualmente o sob o lugar está construído uma mesquita Islâmica.
Com a destruição do templo o povo de Deus que voltou do exílio da babilônia ficou perdido com relação a sua religiosidade, pois o templo garantia a tradição da religião, a transmissão e a celebração da fé, a oração. Esses fatores motivaram a constituição das sinagogas, que eram construções inspiradas no templo, que só não realizava os sacrifícios. Jesus e os apóstolos judeus freqüentaram a sinagogas (At 17).
A instituição da Eucaristia se deu em outro ambiente, chamado Cenáculo (um ambiente destinado às refeições familiares). Então surge uma nova prática: no sábado na sinagoga a comunidade estava reunida para a liturgia da palavra e no domingo no cenáculo para a liturgia da mesa, ou seja, para a Comunhão Eucaristia. Mais tarde a comunidade cristã foi expulsa e excomungada da sinagoga judaica, passando a celebrar a liturgia da palavra e da mesa nas casas/cenáculo. Essas eram conhecidas como casas igrejas, a comunidade de fé que se reúne em salas das casas.
Para os cristãos, não era mais o templo lugar da habitação da divindade, mas a própria comunidade dos fiéis, que agora é entendida como lugar espiritual onde Deus Pai, Jesus Cristo e o Espírito Santo se faz presente onde quer que ela esteja, ou seja, a verdadeira Igreja.
Não podemos esquecer que o ministério de Jesus se deu em espaços públicos, como o mar, beira dos lagos, planícies e montanhas (Mt 5), nos caminhos (Lc 24), jardinse hortos (Lc 22), nas ruas e cidades (Lc 19), constituindo também como um lugar sagrado. As prisões foram lugares da ação de Deus e da Igreja quando abrigou alguns dos apóstolos, inclusive Pedro e João.
Com a perseguição dos cristãos pelos imperadores, as Catacumbas ganharam importância como lugar de cultuar a Deus. Um lugar seguro, pois as pessoas temiam este tipo de local na crença da época.
A partir do século IV, onde o cristianismo é religião oficial do império, as basílicas e catedrais tomam lugar na realidade do cristianismo. As casas já não caiam as massas de gente que agora eram “obrigadas a professar a fé cristã” para estar bem com o Rei. A partir do modelo de tribunal romano, elas agora são ocupadas pelos cristãos. A cátedra que antes era designada ao magistrado agora é usada para quem preside a liturgia. O termo catedral designa a igreja principal de uma diocese, onde se encontra o Bispo.
Sobre a arquitetura do espaço, vale lembrar que a disposição dos móveis e a função dos utensílios podem transmitir a linguagem evangélica do espaço que pode conter os aspectos: celebrativo, educativo, de encarnação do evangelho na vida, espiritual e estético-poético.

O principal: Adorar em Espírito e em Verdade!

Enfim, retomando nossa questão primeira, sobre esclarecer incompreensões e diminuir tensões, acredito que fica claro a partir de agora como o povo de Deus compreendeu o Espaço Sagrado ao longo do tempo. Portanto, não podemos condenar um ou outro modelo. Todos foram igualmente reconhecidos como espaços da manifestação de Deus no meio de nós.
Contudo, a partir destas colocações, poderíamos considerar que a “Casa” onde celebramos a liturgia todos os domingos, é a que mais representa a real igreja de Jesus Cristo, a casa cenáculo. Primeiro por ser enquanto edifício uma casa e segundo porque a Igreja é o Povo de Deus reunido em nome de Jesus Cristo.
À luz dos ensinamentos e da prática de Jesus (Jo 4 20-23), o espaço sagrado não depende da forma do edifício, do formato, de como está pintada ou como estão dispostos os bancos a mesa, etc. O mais importante de tudo, a compreensão e a atitude principal é esta: Adorar a Santíssima Trindade em Espírito e em Verdade!
Considerando o dito de Jesus de que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (MT 18.20), temos a fundamentação mais autêntica da igreja cristã: A Igreja não é edifício, não é banco nem mesa, mas o povo reunido em nome de Jesus Cristo.

Referências:
RAMOS, Luiz Carlos. Em espírito em em verdade:curso prático de liturgia. São Bernardo do Campo: Editeo, 2008 144 p.

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A tragédia de um cristianismo arrogante

Olá! Compartilho este artigo de José Lisboa Moreira de Oliveira: Filósofo. Doutor em teologia. Ex-assessor do Setor Vocações e Ministérios/CNBB. Ex-Presidente do Inst. de Past. Vocacional. É gestor e professor do Centro de Reflexão sobre Ética e Antropologia da Religião (CREAR) da Universidade Católica de Brasília.
Este homem que tem no meu entendimento um discurso profético, que anuncia e denuncia trabalhando em prol da justiça e da paz e que me ajudou na fase do meu trabalho de conclusão de curso sobre o tema dos leigos com dois livros: Nossa resposta ao amor: Teologia das vocações específicas e Teologia da Vocação: temas fundamentais. Ótimos livros para um aprofundamento ao tema da Vocação.

Eis o artigo. Boa leitura!

Há várias semanas estamos acompanhando os acontecimentos que dizem respeito à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara de Deputados. Os representantes de determinadas minorias, e pessoas militantes em espaços e instituições de defesa dos direitos humanos, não aceitam a eleição para presidente desta Comissão do Pastor Marcos Feliciano, conhecido por suas manifestações públicas homofóbicas, racistas, discriminadoras e preconceituosas.

O deputado tenta se defender afirmando que as acusações não procedem e que determinadas declarações ele não as fez como presidente da Comissão, mas enquanto pastor. Como se fosse possível negar o que foi postado em redes sociais e filmado em certas ocasiões e como se fosse também possível separar a atuação de uma pessoa na função pública da sua vida particular. Toda pessoa que aceita uma função pública deve estar consciente de que ela, enquanto estiver na função, não poderá separar isso daquilo.

Porém, o problema mais grave neste episódio é que o fato expressa um tipo de cristianismo arrogante e prepotente que, sob certos aspectos, nos faz voltar à Idade Média e ao período da Santa Inquisição. Desta vez os protagonistas da arrogância e da prepotência não são os católicos, mas grupos ou pessoas do seguimento evangélico. Embora não faltem no atual catolicismo ultraconservador de direita, pessoas e grupos imbuídos da mesma arrogância e da mesma prepotência.

Trata-se de arrogância e de prepotência porque, como nos lembrou décadas atrás Paul Ricoeur, tais pessoas ou grupos cristãos pretendem ocupar o lugar reservado exclusivamente para Deus. Essas pessoas e esses grupos não só pretendem dizer a Deus como ele deve se comportar em relação aos que são diferentes delas e deles, mas se colocam como juízes para condenar quem pensa diferente ou quem quer ser diferente. Sentam-se solenemente em suas “cátedras” e, revestidos com as togas de acusadores, com ares de soberania de deuses tiranos, apontam o dedo contra aqueles que ousam pensar diferentemente ou viver diferentemente. “Amarram pesados fardos e os colocam no ombro dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo” (Mt 23,4). Assim, por exemplo, pretendem ditar para todas as pessoas de uma sociedade pluralista, como é o caso do Brasil, normas que dizem respeito apenas ao seu próprio credo. Querem que todos, sem exceção, sejam submetidos aos dogmas por eles inventados e falsamente atribuídos a Deus (Mc 7,9). Não admitem que pessoas possam viver diferentemente, segundo suas convicções e crenças. Não querem permitir que tais pessoas expressem o que sentem e vivam publicamente segundo suas convicções, sob a alegação de que isso é ofensivo e imoral. Transformam o próprio credo e a própria moral em moralidade universal que, segundo eles, deveria ser imposta a todas as pessoas.

Na raiz do racismo, da homofobia, da discriminação e do preconceito praticados por estas pessoas ou seguimentos cristãos está um ato profundamente diabólico: acusar os outros diante de Deus (Ap 12,10). Ao usarem de intransigência e ao apontarem arrogantemente o dedo contra quem não lê pela cartilha deles, tais pessoas ou grupos deixam de ser discípulos e discípulas de Jesus para serem seguidores do Diabo, o acusador dos irmãos diante do trono da divindade. Cena, aliás, muito bem retratada no Auto da Compadecidade Ariano Suassuna. Como no tempo de Jesus, pastores, padres, bispos e lideranças cristãs se unem para acusar e para apedrejar aqueles e aquelas que consideram imorais e infratores imperdoáveis da moralidade (Jo 8,1-11).

O resultado deste tipo de comportamento é o fato de que tais lideranças costumam se esquecer de que suas falhas e seus pecados são muito mais graves do que os pecados daqueles e daquelas que acusam. Costumam se esquecer de que, quase sempre, elas são responsáveis por tantas outras mazelas e por tantos outros pecados imperdoáveis e que ofendem muito mais a Deus do que as fragilidades dos que são por elas acusados (Jo 8,7). Vejo pastores, bispos e padres dando verdadeiros chiliques porque, de repente, viram dois homens se beijando ou uma mulher famosa revelando que ama outra mulher. Mas não os vejo dando chilique porque diariamente morrem no mundo milhares de crianças vítimas da fome, da subnutrição, das guerras e dos próprios conflitos religiosos, muitas vezes alimentados e patrocinados por países tidos como tradicionalmente cristãos. Não vi, por exemplo, a bancada evangélica no Congresso, ou padres e bispos católicos, se mobilizando para punir aquele pastor que, após enfiar na cueca e nas meias o dinheiro roubado dos moradores do Distrito Federal, fez com os outros ladrões a famosa “oração da propina”, agradecendo a Deus pelo roubo que acabavam de praticar.

Nota-se tanta obsessão e tanta histeria ao atacar a homossexualidade e atos sexuais considerados inadmissíveis, mas não vejo o mesmo empenho e o mesmo compromisso na luta contra a corrupção, contra o desvio de verbas públicas, especialmente da saúde, que terminam por matar tantas pessoas pobres e inocentes. Não vejo nenhum deputado evangélico, e nenhum padre e bispo católico obcecado por pecados sexuais, tendo a mesma postura de profetas como Amós que denunciava as “vacas de Basã” que moravam em palácios de luxo, oprimiam os fracos, maltratavam os necessitados e, com seus maridos, realizavam banquetes às custas dos mais pobres (4,1-3). Não vejo nenhum deles denunciando as maquinações de políticos, de latifundiários, do agronegócio etc. e que visam “comprar o fraco por dinheiro, o necessitado por um par de sandálias, e vender o refugo do trigo” (Am 8,6).

Não custa lembrar o risco da hipocrisia nessas atitudes prepotentes e arrogantes, especialmente quando se concentra todos os pecados do mundo na questão da sexualidade. Carlos González Vallés no seu livroQuerida Igreja (Paulus, 1998) já nos lembrava anos atrás que toda essa obsessão pelos pecados sexuais esconde um desejo de dominação e de manipulação por parte dos chefes cristãos. Como a sexualidade é algo inerente a toda pessoa humana, fica mais fácil dominá-las e controlá-las através da condenação obsessiva dos pecados do sexo. Tal condenação funciona como uma espécie de “quebra-molas”, freando todo e qualquer desejo de autonomia e de liberdade. “A razão do exagero que a Igreja sempre exerceu nesse domínio e da gravidade do pecado sexual é fácil de ver. A Igreja deseja controlar seus súditos, e o instrumento de controle mais eficaz é o medo” (Vallés, p. 109). A superação do medo e a liberdade diante da sexualidade tiram os fiéis do controle dos pastores, dos padres e dos bispos. Consequentemente tal liberdade afeta também os cofres das Igrejas. Pessoas livres se recusarão a pagar os dízimos com os quais as Igrejas se mantêm e mantêm seus programas religiosos na mídia, usados para acusar “nossos irmãos, dia e noite, diante do nosso Deus” (Ap 12,10). Pode-se concluir que a verdadeira razão de tanta obsessão pelos pecados do sexo é de ordem econômica e não de ordem cristã: pastores, padres e bispos temem perder o controle de seus fiéis e, com isso, perder também as vultosas somas de dinheiro que patrocinam sua arrogância e sua prepotência. É claro que eles negarão veementemente esta minha afirmação. E isso é normal, pois nem sempre isso é feito de forma consciente. Porém, hoje, com a ajuda da Psicologia, sabemos o que pode fazer o inconsciente, especialmente o inconsciente coletivo.

Por fim, não custa lembrar que o amor é a essência do cristianismo. Quem ama é de Deus, permanece em Deus (1Jo 4,7-8) e quando há amor verdadeiro não existe lugar para o medo e para o temor (1Jo 4,18). E os evangelhos nos mostram que não são as lideranças religiosas as pessoas que mais amam. São as pessoas tidas pelo sistema religioso como as mais pecadoras, aquelas que mais amam no sentido pleno e mais evangélico da palavra (Lc 7,36-50). Então porque não aceitar a possibilidade de que entre duas pessoas do mesmo sexo possa existir um amor autêntico? Um amor profundamente humano que pode ser comparado ao amor existente entre um homem e uma mulher (2Sm 1,23-27)? Um amor como o de Jesus que não escondia sua predileção, a sua afeição e a sua ternura por um discípulo, permitindo-se certa intimidade que era exclusiva da relação de um homem com sua esposa (Jo 13,23-25)? Ou será que tais pessoas já admitem a possibilidade de que o “discípulo amado” (Jo 21,7) possa, na verdade, ser uma “discípula amada”? Mas, neste caso, a história já seria outra e provocaria verdadeira revolução no cristianismo.

[Autor de Viver em Comunidade para a Missão. Um chamado à Vida Religiosa Consagrada, por Paulus Editora. Mais informações: http://www.paulus.com.br/viver-em-comunidade-para-a-missao-um-chamado-a-vida-religiosa-consagrada_p_3083.html].

FONTE: http://www.adital.com.br/?n=ckk2


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Dia das Mães: a homenagem que nasceu numa Igreja Metodista

Olá! Quero compartilhar com vocês esta história do dia das mães que achei muito interessante! É bom sabermos o sentido das coisas!
Um Feliz e abençoado Dia das Mães!!

Robson Cavalcanti

Teólogo e Leigo Católico

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Flores, cartões, beijos… quando chega o segundo domingo de maio, é gostoso receber e demonstrar amor às mães pelo seu dia. É um dia também para se lembrar, com o coração cheio de gratidão, das mães que já se foram.

Afinal, o Dia das Mães nasceu como uma homenagem póstuma da metodista norte-americana Anna Marie Jarvis (foto) à sua própria mãe. A primeira comemoração oficial foi numa Igreja Metodista, cerca de 100 anos atrás.

No ano de 1905, Anna Marie Jarvis recebeu um duro golpe: a morte de sua mãe, exemplo de dedicação e fé. Dois anos mais tarde, em 1907, no segundo domingo de maio, Anna convidou várias amigas para sua casa na Filadélfia, EUA, para uma celebração de ação de graças pela vida de sua mãe. Na ocasião ela anunciou a idéia de se instituir um dia nacional em honra às mães.

No verão seguinte, Anna escreveu ao Superintendente da Escola Dominical da Igreja Metodista Andrews em Grafton, sugerindo que a igreja na qual sua mãe tinha dado aulas por 20 anos, celebrasse o Dia das Mães em sua homenagem.

Assim, no dia 10 de Maio de 1908, celebrou-se oficialmente o primeiro Dia das Mães da história. Em 1914, a celebração tornou-se nacional, aprovada pelo Presidente Woodrow Wilson.

Desde 1908, a homenagem às mães acontece na Igreja Metodista Andrews, agora conhecida como Capela do Dia das Mães, na cidade de Grafton, West Virginia. O local tornou-se também uma espécie de museu dedicado à comemoração.

FIM DO DIA DAS MÃES
Mas nem tudo foram rosas (ou cravos, escolhidos por Anna para simbolizar a data) na bela história do Dia das Mães. Muito cedo Anna se decepcionaria com os rumos tomados pela comemoração. Ela ficava simplesmente chocada quando via comerciantes aproveitando-se da data. “Não era essa minha intenção! Eu queria que fosse um dia de sentimento, não de lucro!, reclamava Anna. Desgostosa, ela ironizava: “Um cartão impresso não significa nada, a não ser que você é muito preguiçoso para escrever para a mulher que fez mais por você do que qualquer outra pessoa no mundo. E doce! Você compra uma caixa para sua mãe – e come a maior parte você mesmo. Um lindo gesto!”

O mesmo empenho que Anna teve para criar e oficializar o Dia das Mães, ela teve para destrui-lo. Em 1923, moveu um processo contra o governo de Nova York para cancelar a celebração e, é claro, perdeu. Enraivecida, ela atacou uma barraca de florista (mais ou menos como Jesus fez com as mesas dos cambistas no templo de Jerusalém) e foi presa por perturbação da ordem.

Anna Jarvis nunca conseguiu fazer com que o Dia das Mães “acabasse” ou voltasse à pureza original. Morreu pobre e sozinha, aos 84 anos de idade, e foi enterrada ao lado de sua mãe.

Suzel Tunes
(traduzido e adaptado dos sites: http://www.mothersdayshrine.com e http://sean.gleeson.us/2005/05/08/mothers_day_history. Publicado originalmente no jornal Expositor Cristão)

Fonte:http://www.metodista.br/fateo/noticias/dia-das-maes-a-homenagem-que-nasceu-numa-igreja-metodista