Empreender e Teologar

"A convergência de dois olhares específicos em prol do bem comum"


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Reflexões de esperança a espera de um novo Papa

Robson Cavalcanti

Leigo e Teólogo Católico.

Desde 11 de fevereiro, o povo acompanha os comentários sobre a renúncia do agora  Papa emérito, Bento XVI. Muito já foi dito e ainda está sendo dito, tanto sobre as motivações para tal feito, como sobre o evento histórico da renúncia em si, e as perspectivas diante deste ato.

É importante lembrar que as declarações e reflexões formuladas partem por um lado dos especialistas a serviço da Igreja Católica como o próprio Clero entre eles: Dom Demétrio Valentini, Dom Odilo Pedro Scherer, Faustino Teixeira, Maria Clara Bingemer, entre outros e por outro lado de especialistas e estudiosos e teólogos como: Pedro A.Ribeiro de Oliveira, Observatorio Eclesial, Luiz Alberto Gómez de Souza, Leonardo Boff, John W. O’Malley, Dom Pedro Casaldáliga, Dr. Fernando Altemeyer Junior, Eduardo Hoornaert, José Lisboa Moreira de Oliveira, Hans Küng, Jung Mo Sung, Frei Betto,  que dependendo do seu interesse, pode ser lido na integra.

Diante disso, minha exposição é querer refletir este acontecimento a partir do chão onde piso: a comunidade de fé Cristo Ressuscitado.

No meu ver, o Para emérito Bento XVI renunciou porque não tem mais forças físicas, psicológicas e espirituais para lidar com os acontecimentos tidos como verdadeiros que cercam o vaticano e a cúria no caso dos vatileaks, o clero e o próprio Bento XVI com relação aos casos omitidos de abusos sexuais.

Entendo que o novo é algo que traz esperança, abre possibilidades, é dinâmico. Rompe com o estático, elimina com a falta de criatividade, quebra o gesso consolidado, inova.

Por isso, eu creio que somente um novo Papa, ainda que não seja jovem, poderia trazer novas perspectivas que alavancar mudanças que a Igreja Católica tanto grita por acontecer.

É notório por muitos especialistas o impasse que existe na implementação das orientações do Concílio Vaticano II, que se deve em grande parte pelo posicionamento conservador da maioria dos Cardeais. Contudo, a Igreja já se posicionou através de APARECIDA que a Igreja Católica precisa de uma conversão pastoral, assumindo desta forma que precisa retomar o caminho certo, pois é isso que o termo sugere e sair de uma pastoral de conservação, assumindo decididamente uma pastoral efetivamente missionária.

Logo, assumir esta pastoral missionária é ir ao encontro dos excluídos deste mundo, inclusive aqueles que são excluídos pela própria Igreja. A Igreja precisa se perguntar quem são estes pobres, excluídos, desumanizados de hoje. Por acaso não seria os homossexuais? As mulheres? Os padres casados? Os divorciados? Os famintos? Os pobres? E tantos outros que poderíamos continuar citando.

Nosso bairro por exemplo, está rodeado destes perfis de pessoas que citei acima. Muitos estão em busca de sentido, em busca de uma religião que possa acolhê-los. Muitos outros vivem uma fé com Deus, mas fora da Igreja, porque sabe o clima discriminador que pode encontrar numa comunidade de fé. Outros conseguem viver dentro das comunidades, ainda com seus dons limitados.

Por isso milhares de católicos não cansam de orar com confiança, esperança e fé, para que o próximo Papa seja uma pessoa com uma personalidade extremamente sensível aos sinais dos tempos. Que ela possa assumir uma Igreja deste tempo, renovada à exemplo do evangelho, guiada pelo Espírito Santo. Que Ele possa enxergar a Igreja de forma universal e não eurocentrica, e sobretudo, que seu olhar possa estar com seu olhar voltado pelos pequeninos do Pai.

Por isso encerro pedindo a Deus que este pequeno escrito seja aceito como oração pessoal, por amor ao seu povo e a Igreja que se reúne para louvá-lo e glorificá-lo. E que Deus não permita o que muitos estudiosos já afirmaram com audácia e sabedoria: que se a Igreja Católica não se renovar, não sair da Cristandade, da Idade Média, estará fadada a ser uma instituição como seita, irrelevante para o nosso tempo e para as gerações do presente e das futuras.

“Enviaí vosso Espírito Senhor! E renova a face da terra “Sl 103 (104)”… e a Igreja Católica também!

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